Horizonte de Palavras

Porque escrever é olhar além…

Modernizou, misturou, formou…

Modernidade é uma conseqüência da própria formação cultural brasileira. Desde a época do descobrimento, a mistura, a adequação, absorção e integração de costumes e valores se fizeram presentes na raiz da nova colônia. O primeiro a habitar nosso chão já tinha uma visão antropofágica – devorar o inimigo e pegar dele o que há de melhor. Devorou-se. Misturou-se então.

O que se deve observar é que não é só uma mistura, é uma integração, uma combinação que arrisca ser quase perfeita. Em nenhum outro lugar se encontra tanta união de culturas, que acabam por se completando, e formando uma legião de valores. Gilberto Freire chamou isso de Hibridismo.

Mas calma, o povo brasileiro não é burro. Vamos sim importar valores, mas vamos transformá-los. E assim surge uma nação completamente aberta ao Modernismo, e conseqüentemente ao Antropofagismo. Essa “técnica” defendida ferozmente pelos modernos de 22 permeia até os dias atuais.

Tudo junto e misturado

É a cara do Brasil. Cores, credos, raças, costumes. Estilos de vida diferentes, convivendo sob um mesmo céu. A pátria amada ama mesmo a todos. Negros, brancos, índios… Os de samba e os de rock.

 É moderno, é antropofágico, é importado. É importante. Como já dizia Oswald de Andrade, “só o antropofagismo nos une”. Aqui tudo se completa, se dispõe, se integra. E olhe que graça, é na paz! Todos os Deuses, ou só o teu Deus, abençoe o povo brasileiro.

Érica Teles

 

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03/12/2009 Posted by | Multiplicidade | , , , , | Deixe um comentário

“Pássaro da Noite” em Brasília, Luana Piovani com as focas

por Érica Teles e Liz Mendes.
O céu de Brasília na última sexta-feira era digno de qualquer aquarela de Saint-Exupéry e seu Pequeno Príncipe. A entrada e todo o percurso dentro do Teatro Nacional só fazia lembrar o de uma certa Alice perdida. Era exatamente sexta-feira a noite, como seria lembrado diversas vezes por uma certa passarinha.

No palco, quase nada. Luz e ela. Quem dedicou uma hora de sua vida naquela noite para, simplesmente, ouvir uma história, se surpreendeu. Ali naquele palco foram mostradas diversas histórias. A sua, a minha, a daquela mulher que você encontra na fila do supermercado ou no ponto de ônibus. A eterna busca por algo que nem se sabe direito o que é. Uma procura externa de algo que está em seu interior.

E, quem melhor que Luana Piovani, para mostrar isso? Entre suas mil e uma faces, escondem-se e são revelados anseios e desesperos de uma mulher solitária, que não tem medo de julgamentos.

 

A peça “Pássaro da Noite” traz aos palcos uma Luana contrastante com a que pode ser vista hoje nos cinemas em “A Mulher Invísivel”. A “passarinha”, como a atriz prefere se referir à sua personagem, fala coisas que todos passam, sentem e vêem mas que, raramente, comentam. Seus vícios, seus sentimentos, suas paixões, seus “pudores sem pudor”, seu imaginário fértil.

O texto de José Antônio de Souza, dirigido po Marcus Alvisi, ficará em Brasília até domingo, dia 21/06. É ele quem leva todos a refletirem enquanto riem, se envergonham ou se identificam. O que terá acontecido com ela? Quem será ela? O que ela quer? E, na verdade, essas perguntas irão acompanhar os mais atentos e se modificar dentro deles. Serão as responsáveis pelas noites de insônia e indagações quase filosóficas que acontecerão com essas pessoas.

Afinal, estaria ela em uma bad trip ou “apenas” morta? Em coma alcólico ou meio cega e divagante? É difícil dizer, e a própria Luana gosta de instigar quem chega até ela.

Nas cochias

Luana Piovani está em cartaz em Brasília nos dias 19, 20 e 21 de junho com a peça "Pássaro da Noite".  Imagem: Fábio Motta.

Luana Piovani está em cartaz em Brasília nos dias 19, 20 e 21 de junho com a peça "Pássaro da Noite". Imagem: Fábio Motta.

 

A entrevista foi breve porém calorosa. Piovani era só sorrisos a todos que cruzavam seu caminho. Encaminhada pela produtora veio até nós questionando se havíamos assistido à peça e o que tinhamos achado. Era impossível deixar de sorrir. Sua beleza não cabia em seus olhos, seu sorriso e seus um metro e tanto de altura. Mesmo assim não houve intimidação.

Entre um gole e outro de sua água de côco (sem gelo!), falou de teatro, cinema, futuro, passado e projetos. Ressaltou sua paixão pelo teatro, pela diversidade de personagens que entram e saem de sua vida, de poder ser uma pessoa diferente a cada espetáculo, a cada texto. “Eu acho o teatro muito generoso, porque a caixa do teatro é mágica. Assim, eu posso fazer um menino… Quando eu fiz “Alice” [no País das Maravilhas], lembro que uma vez me perguntaram ‘Mas como é que você vai fazer a Alice? Você é a pessoa mais alta do seu elenco!’, e eu falei: ‘Justamente porque a caixa do teatro me dá essa possibilidade’ “, conta Piovani.

A atriz aproveitou pra adiantar, também, que no próximo ano estará com a peça “O soldadinho e a bailarina”. Para todo ator a rotatividade de personagens é praxe, mas nem por isso é menos difícil. “É sempre uma sensação de estar abandonando um filho. Quando um projeto estréia, é como se você tivesse parido. Na hora de dizer tchau pra ele é muito doloroso, mas como sempre tem um outro bebê pra nascer, uma coisa acaba valendo a outra”, explica a atriz.

“Pássaro da Noite” estará em turnê pelo Brasil até setembro, pelo menos (a última data presente no site da produtora é 13/09), então a atriz ainda terá tempo de curtir seu filhote. Fora isso, os fãs ainda podem esperar: esse ano estão para serem lançados mais dois filmes com a atriz. “Insônia”, de Beto Souza e “Família vende tudo”, de Alain Fresnot.

20/06/2009 Posted by | Multiplicidade | , , , , , , | 3 Comentários