Horizonte de Palavras

Porque escrever é olhar além…

Redes Sociais são os novos elos entre políticos e cidadãos

Diferente dos horários eleitorais, perfis na internet permitem a troca de informações

Érica Teles

Antigamente as praças das cidades eram palco de comícios e reuniões dos políticos em busca de votos e eleitores. Hoje, o palco de discussões são as redes sociais, que viraram febre, até entre os mais conservadores, e ganharam muitos adeptos por todo o mundo. Ao invés de entregarem os santinhos, eles te seguem no Twitter. Estima-se que cerca de 60% dos políticos brasileiros tenham perfis em redes sociais atualmente. Para o presidente do Grupo Orium Comunicação e Marketing, Alexandre Monteiro Chequim, estar inserido em comunidades virtuais é essencial. O cientista político Jean Klecio Gonçalves, defende que os políticos precisam usar de forma inteligente as mídias sociais.

O microblog virou ferramenta para aproximar eleitor e parlamentar

Entre os mais de 200 milhões de usuários que aderiram ao microblog, por exemplo, estão os parlamentares. Desde a eleição que escolheu Barack Obama como presidente dos Estados Unidos em 2008, a internet virou ferramenta de aproximação entre a política e o cidadão. Antes das eleições brasileiras em 2010, aproximadamente 226 parlamentares já utilizavam o Twitter, segundo um levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo. Após as votações, esse número cresceu. Perfis como o @twittespol fornecem informações sobre os números desse público na rede.

deputado distrital Professor Israel Batista(PDT/DF) utiliza perfis em comunidade virtuais para estreitar a relação com o cidadão. “Acredito que as redes sociais democratizaram o debate e proporcionaram ao eleitor uma participação mais ativa na discussão política. O cidadão pode acompanhar o candidato não somente antes das eleições, mas também durante o mandato”, afirma o deputado.  Seguir o agente político no Twitter virou uma arma do eleitor. “Recebo muitas sugestões e tento filtrar os comentários pertinentes daqueles que me cobram, justamente, para eu fazer valer o voto de confiança que me deram para representá-los”.

Estratégias
Para Alexandre Chequim, a atuação nas redes sociais pelos políticos contribui para uma interação entre os dois públicos, onde é possível falar e ouvir. “Trata-se com certeza de uma estratégia de marketing para estar mais próximo da população, e interagir com seus eleitores e potenciais eleitores”, explica Alexandre.

Assim como pode ocorrer no “mundo real”, onde alguns candidatos, eleitos ou não, somem depois das votações, nas redes sociais isso também ocorre. Alguns políticos fizeram perfis no microblog de 140 caracteres apenas para a época das eleições. Após o pleito, muitos abandonaram. O perfil da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, não é atualizado desde o final do ano passado. Nem por assessores, como ocorre em alguns casos. “Atuar de forma planejada nas redes sociais já precisa ser visto como prioridade pelos políticos”, explica o comunicador.

De acordo com Chequim, esse “abandono” pode ocorrer por desconhecimento das mídias sociais ou por falta de uma orientação profissional. Ele explica que esse meio deve ser utilizado como um canal de comunicação, não apenas para o pleito. “Acredito que só gere real benefício quando for acompanhada de planejamento, interação e relevância. Ou seja, o político precisa ter um plano de longo prazo para atuar nas redes sociais”, afima Alexandre.

Conexão direta

Segundo o cientista político, essa aproximação é positiva. “As pessoas (eleitores) também querem ver, como o político é em seu dia-a-dia como cidadão, na sua vida pessoal. Esperam que o ocupante do cargo público interaja e participe da “conversa” via Twitter, e não se limite a apenas ser um robô que distribui informações do mandato”, relata o especialista.

A opinião do cientista é compartilhada pelo estudante de administração Joel Gomes, 22, que segue os políticos em quem votou nas últimas eleições, mas apenas para interagir com eles. Ele não acredita que a rede seja uma forma de fiscalizar o trabalho dos eleitos. “No Twitter, eles falam o que acham necessário e menos polêmico, por isso eu acho que não é um meio de fiscalizar o seu trabalho.

Segundo Gonçalves, o que esses parlamentares escrevem no microblog não é determinante em suas atuações públicas. ” A memória do eleitor brasileiro é muito curta”, esclarece. “A maioria dos políticos não utiliza da forma correta, alguns apenas retuitam notícias e interagem com um pequeno grupo de contatos, que pode ser um erro grave”.

Joel defende outras maneiras de acompanhar e cobrar do político eleito. ” A melhor forma é entrando no site da Câmara e do Senado pra ver os projetos, como foram votados, mandando e-mail e indo até o gabinete cobrar as promessas de campanha, relata o estudante. O  Twitter serviria como uma ponte a todos osoutros meios que têm mais de 140 caracteres”, finaliza o estudante.

 

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20/06/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , | Deixe um comentário

Seleção para projeto ambiental começa em julho

 Fora da sala de aula, estudantes têm a oportunidade de conhecer a realidade do Cerrado por meio do trabalho de ong com escolas públicas

Alunos a bordo do Catamarã na Operação Cerrado, Módulo Lago

A segunda edição do Operação Cerrado se prepara para receber estudantes a partir do segundo semestre de 2011. A iniciativa promove a concientização ambiental por meio de saídas de campo com jovens de 9 a 14 anos, alunos de escolas públicas do Distrito Federal. O programa foi lançado em agosto de 2010 e é vinculado ao Instituto Aquanautas, organização da sociedade civil de interesse público. Ela atua em parceria com a Secretaria de Educação e se dedica ao desenvolvimento de pesquisas para a preservação do meio ambiente. Além disso, o Aquanautas leva até as escolas o Cinema Ambiental e disponibiliza na internet diversos conteúdos educativos.

O projeto é divido em quatro tipos. O módulo Lago leva os alunos por dois dias ao Paranoá. Lá, eles aprendem a identificar peixes e entendem a relação das águas com a região. A bordo do Catamarã, os estudantes recolhem microorganismos para análise biológica. No módulo Caverna, uma mistura de disciplinas possibilita, por meio de pinturas rupestres, compreender como se deu a ocupação da região do Cerrado, além de aulas práticas de manejo de solo e identificação de espécies animais.

Existe, ainda, o módulo Cidade, que mostra aos jovens o impacto ecológico proveniente do mau uso dos recursos naturais dentro dos centros urbanos, além das consequências do descarte incorreto de matérias poluentes. Já o Cine Aquanautas leva às escolas públicas do DF um cinema que mostra por meio de vídeos, as experiências de parceiros da iniciativa com diversos animais em rios da região e de Tocantins.

De acordo com o biólogo e coordenador da Operação Cerrado, Leandro de Castro Siqueira, 38, que também é consultor técnico da iniciativa, o projeto não tem apenas como objetivo exclusivo a ecologia, mas tratar da história da ocupação humana na região, além de abordar temas relacionados à astronomia, geologia e organização do Brasil. “Procuramos ser complementares à formação recebida pelos estudantes no ensino formal, contribuindo para que eles pudessem ter contato com o conteúdo recomendado, porém de forma diferente, mais prática e com um gostinho de aventura”, explica Leandro. “Além disso, tentamos trabalhar os conceitos de cidadania, discutindo com eles seus direitos e seus deveres para que possam ter um meio ambiente adequado”.

Desde sua criação, o projeto já contribuiu para a formação de aproximadamente 30 mil alunos de 50 escolas públicas do DF. Segundo o presidente do Aquanautas, Luiz Rios, o objetivo agora é superar o resultado alcançado no ano passado e atender instituições de ensino que ainda não participaram.

Conscientização

A professora e coordenadora da Escola Integral, do Centro de Ensino Fundamental 03 do Gama, Sandra Rodrigues César, 36, participou, junto com os alunos, do módulo Cidade em novembro do ano passado. A oportunidade trouxe mudanças na atitude das crianças. “Nossa escola foi invadida pela consciência ecológica”, relata Sandra. “Foi fantástico! Como professora de ciências, sempre me encanta quando vejo os olhinhos dos meus alunos brilhando diante de novas descobertas”.

A experiência deixou a aluna Isadora Silva Lima, 11, da 6ª série, mais consciente da preservação. “Depois da Operação Cerrado, eu tive uma noção melhor da importância desse bem precioso que é a natureza”, explica. E não foi só Isadora que aprendeu com a saída de campo. A aluna da 7ª série Karen Mayumi Matsumoto, 12, acredita que cuidar do planeta é garantir qualidade de vida. “Conservando o ambiente, poderemos ter uma vida melhor a cada dia. Pude observar de perto a importância da reciclagem, porque devemos economizar água, entre outras”, conclui a estudante.

Para 2011, Luiz afirma que existem novos projetos para o DF e outros estados, incluindo a Costa Brasileira. No momento, o Aquanautas se prepara para iniciar a Operação Cerrado, a partir do segundo semestre desse ano.“Estamos em fase de aprovação e liberação de recursos, incluindo o Operação Cerrado 2011”, relata o presidente da instituição.

Sobre os critérios de seleção das escolas que partipam do projeto, Leandro explica que fica sob responsabilidade de cada regional de ensino. “Partimos do princípio de que cada diretoria conhece melhor as escolas de sua região e pode selecionar de forma mais adequada as que têm maior compromisso com a proposta do nosso projeto”, afirma.

O biólogo defende que o intuito da Operação Cerrado vai além da educação ambiental. “Esperamos que os jovens selecionados para participar da Operação Cerrado não só sejam estimulados a pensar sobre seus valores e ações, mas que também possam se tornar líderes e multiplicadores dessa forma de perceber o meio ambiente e de agir nas suas escolas e na região onde moram”, conclui.

Quer saber mais? Acesse: http://www.operacaocerrado.org.br

26/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Tolerância e respeito jogam no mesmo time

Contra a violência, torcedores superam rivalidade

Érica Teles

Futebol é paixão brasileira, mas a manifestação pacífica está cada vez mais rara. Os casos de violência envolvendo torcedores estão cada vez mais comuns, no entanto, por amor ao esporte, algumas pessoas conseguem superar a rivalidade entre seus times. Em tempos de final de campeonato, o carinho pelo clube aumenta e em alguns casos, não dá espaço ao desrespeito nem à violência. Eles torcem pelo mesmo time, o da tolerância.

Rivalidade é deixada de lado por amor ao futebol

 Vasco e Flamengo, Corinthians e Palmeiras, Gama e Brasiliense. Grandes rivais dentro de campo podem ter uma convivência pacífica fora. A rivalidade deve ser algo saudável, como defende um torcedor do Palmeiras, o auxiliar administrativo Antonio Henrique Rodrigues Braga, 22 anos. “Eu acho que é uma questão de gosto, assim como brigar por música ou por partido político. A briga não irá fazer com que você mude de time”, afirma.

A opinião de Henrique não é isolada. Os que acreditam no verdadeiro espírito do futebol, que é unir as pessoas em torno de um mesmo objetivo, defendem a paz e o respeito ao próximo, independente da camisa que vestem. As diferenças são relevadas e a briga se restringe ao gramado.

Vascaíno desde criança, o promotor comercial Alex Sandro dos Santos, 27, defende que as pessoas têm que se respeitar, aceitando a escolha de time de cada um. “Tento levar na brincadeira, não tem outro jeito. Rivalidade é rivalidade”, relata Alex. “A melhor forma é levar na esportiva”.

A psicóloga do Programa da Mulher Atleta, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Mariana Mendes de Moura Oliveira, explica que superação da rivalidade depende da situação. Amigos, por exemplo, podem se respeitar melhor como torcedores rivais. “Se for uma amizade antiga entre garotos, é provável que o assunto futebol não seja pauta de qualquer conversa”, afirma. 

A especialista confirma que se o objetivo for o mesmo, o amor ao esporte é capaz de deixar de lado a rivalidade. “Alguns blogs são escritos por torcedores de times rivais, mas antes disso são amigos que preferem divulgar informações sobre o esporte do que apenas “brigar” por seu time”, conclui.

Torcida da paz

O estudante torcedor do São Paulo, Victor Matheus Correia, 20, acha que atitudes pacíficas dentro do futebol estão ficando cada vez mais raras. Para ele, é difícil dar o braço a torcer e dizer que o rival é melhor. “É questão de orgulho e de cultura também”, declara. Victor defende que para mudar a situação seria preciso uma transformação na atitude dos torcedores. “Precisaria haver uma mudança na forma como o brasileiro enxerga a rivalidade e o futebol”, explica.

O universitário Pedro Ventura Patrocínio, 22, torcedor do Gama, se diz amante do futebol e explica que supera a rivalidade fora do gramado. “Já xinguei o jogador dentro de campo, e na mesma noite confraternizamos na casa de um amigo. Esse mesmo jogador é namorado de uma amiga minha, na qual sua família é gamense roxa”, relata. Pedro defende que é preciso conscientizar os torcedores. “Estimulo as pessoas que freqüentam os estádios que a única a sofrer com a violência deve ser a bola, com os chutes dos jogadores”, brinca.

“Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos”

O diretor da torcida do Flamengo na capital, Raça Rubro Negra de Brasília, Danielton Lima, afirma que é cobrada dos torcedores uma atitude positiva e contra a violência. “Cobramos sim postura dos nossos integrantes, e sempre procuramos conscientizá-los que o futebol é festa, e que a existência de uma torcida organizada é apenas uma: apoiar o clube onde é que ele esteja”, declara. “Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos[…] mas não existe incentivo pela intolerância, e sim trabalhos sérios desenvolvidos por diretorias de várias torcidas organizadas”, esclarece.

23/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Vendedora de discos de vinil resiste à era digital

Raridades da música mantêm o negócio de “dona” Abadia. Comércio de LP’s permanece intocável há 15 anos

Por Érica Teles

Cliente saudosista não abre mão do vinil

Provavelmente quem passa pela via W3 Sul, no coração de Brasília, já deve ter visto a senhora que vende discos de vinil na calçada do comércio local. Maria Abadia, que prefere não dizer a idade, revela que está no “ramo do vinil” há 15 anos e desperta curiosidade por vender LP’s em plena era da tecnologia do download. Em meio a exemplares raros, como “Please, please me”, de 1963, primeiro álbum do The Beatles, e uma parceria entre Ney Matogrosso e Secos e Molhados, de 1973, a evangélica revela que não ouve seus produtos, prefere ler a Bíblia. Maria Abadia acredita que seu negócio não vai acabar por ser um “dom de Deus”, e que sempre existirá um apaixonado por música e por antiguidades. Ela jura que nunca ficou um dia sequer sem vender um disco.

– Como a sra. veio parar neste ramo? Por que vender discos de vinil?

Maria Abadia– Por falta de emprego. Na verdade não foi falta de emprego, porque eu nunca trabalhei para os outros. Foi uma opção própria, uma oportunidade que apareceu. Então eu fiz um voto na igreja, uma promessa. Tentei. E, se desse certo, eu continuaria. Já fazem 15 anos e estou aqui até hoje.

– Na época a sra. imaginava que iria dar certo essa tentativa?

Maria Abadia-Sim. Porque eu não arrisquei. Tudo o que eu fiz ou faço hoje eu coloco a certeza de que vai dar certo. E dá. Tudo eu faço com certeza. Foi dom do Espírito Santo de Deus. É complicado explicar, porque nem todo mundo entende a minha escolha.

– A sra. costuma ouvir os discos que vende?

Maria Abadia – Por incrível que pareça, eu não ouço. Às vezes ouço música clássica, mas raramente, e não tenho preferência. Eu gosto de ouvir música de louvor, da igreja. Meus cantores preferidos são Jota Neto e Márcio Nascimento.

– Que tipo de pessoa compra seus discos de vinil?

Maria Abadia – Todo tipo de pessoa compra. De todas as idades e de todos os níveis. Já as pessoas de classe alta, costumam comprar mais. Gente que tem dinheiro mesmo. Eles compram mais raridades. Os discos mais antigos, da década de 50 ou 60.

– Há uma clientela fixa?

Maria Abadia – Sim. São os colecionadores. Tenho muito disco difícil de ser encontrado. Geralmente, eles fazem encomenda. Já vendi para muitos estrangeiros. Eles compram LP’s de música brasileira mais que os próprios brasileiros.

– Estamos na era da tecnologia, quando a maioria das pessoas baixa as músicas ao invés de comprar o cd. A sra. acha que é importante manter essa tradição de ouvir discos de vinil?

Maria Abadia – Os meus clientes que são colecionadores preferem o vinil. Quem compra gosta, né. Eles comentam que o som é melhor, que tem mais qualidade. É o que eles me dizem. O meu negócio nunca vai acabar. Até proposta para vender nos Estados Unidos eu já recebi, para vender disco importado, e eu não fui. O único lugar que parou de vender vinil foi no Brasil, porque nos outros países nunca parou. Aqui que teve essa baixa e agora está ficando em alta de novo. Está na moda.

Vinil ainda faz sucesso entre colecionadores

LP's raros

27/04/2011 Posted by | Multiplicidade, Na Imprensa | , , , , | Deixe um comentário

Redes arrecadam R$ 290 mil com troco

Moedas deixadas por clientes ajudam no orçamento da Abrace e Fundação CDL. Apesar de sofrer resistência, projeto já muda rotina de instituições

Por Érica Teles

Solidariedade vale muito e custa pouco

Os centavos que sobram da conta do supermercado podem valer mais do que se imagina. Ao invés de acabarem no fundo da gaveta, podem ir para iniciativas como o “Troco Social”, que muda o destino das moedinhas que o cliente recebe no caixa. Apesar de existir desde 2009, o programa conta com poucos adeptos. A mãozinha da clientela solidária garantiu que fossem arrecadados mais de R$ 220 mil em 2010.

A ideia nasceu com uma rede de drogarias do Distrito Federal, que incentiva os clientes a doarem o que sobra das compras para instituições beneficentes. Dessa maneira, eles levam os produtos e deixam a solidariedade. As doações vão para a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadora de Câncer e Hemopatia (Abrace) e para a Fundação CDL, instituída pela Câmara de Dirigentes Lojistas do DF, que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco social.

A rede imaginou que, se os clientes doassem apenas o troco, o arrecadado já seria significativo, e a partir daí surgiu a campanha “Troco Social”. O valor doado é registrado em cupom não-fiscal, pois se trata de uma transação isenta de impostos, e repassado mensalmente às entidades. O projeto arrecadou em 14 meses aproximadamente R$ 290 mil, e segundo a gerente de Marketing do Grupo Rosário Distrital, Natália Silveira, 70% do arrecadado foram destinados à Abrace e 30%  à Fundação CDL.

De acordo com a assessora de comunicação da Abrace, Vanessa Vieira, até fevereiro deste ano, a associação já recebeu R$ 202.543,74. Ela afirma que o dinheiro foi usado na reforma e manutenção da Casa de Apoio, que hospeda pacientes que vêm de outros estados para tratamento, e na compra de um veículo novo para o transporte das crianças.

“Essa e todas as outras doações recebidas são de fundamental importância para a instituição, uma vez que ela tem seu trabalho mantido por doações da comunidade e de empresas”, esclarece Vanessa.

A conscientização

A operadora de caixa Taynan Porto, 20, trabalha em uma rede de supermercados que promove a mesma ação social, com o nome de “Troco Solidário”. Segundo ela, os funcionários sempre incentivam os clientes a doarem, mas alguns não acreditam na seriedade da iniciativa. “Eles pensam que fica para o dono do supermercado”, diz a funcionária. “A cada dez clientes com quem falo, só dois deixam a troco”, estima.

Entre os que acreditam na credibilidade do Troco Solidário, está o analista de sistemas Thiago Silva Santos, 20. Ele afirma que uma funcionária do supermercado o informou do projeto, e que agora deixa a contribuição a cada compra que faz, geralmente duas vezes por semana. Thiago diz que gosta de fazer doações pessoalmente, mas ajuda assim mesmo. “Não gosto muito de doar dessa maneira, prefiro ir diretamente à instituição, mas achei essa ideia criativa. Prefiro acreditar, mesmo sendo difícil”, explica o analista.

* Para mais informações a campanha da Drogaria Rosário,  acesse o site http://www.drogariarosario.com.br/menu/a-rosario/responsabilidade-social/

 

06/04/2011 Posted by | Na Imprensa | Deixe um comentário

Jovens buscam oportunidade e independência financeira

17,3% dos trabalhadores do DF são adolescentes; especialista diz que atividade pode melhorar responsabilidade

Por Érica Teles

Os adolescentes representam 17,3% dos trabalhadores empregados na capital brasileira, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos, Sociais e Estatísticos (Dieese), divulgada em janeiro desse ano pela Secretaria de Estado de Trabalho do Distrito Federal (Setrab-DF).

A Lei 10.097/2000, ou Lei da Aprendizagem, que garante ao jovem de 14 a 24 anos a possibilidade de ser contratado em condição de aprendiz por uma empresa, contribui para a inclusão do adolescente que procura crescimento pessoal e autonomia financeira. Os números mostram que, cada vez mais, o jovem procura sua independência financeira.

Érica Teles

Ter a carteira assinada como aprendiz é uma conquista para o jovem

De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), o projeto Aprendiz Legal inseriu 2,3 mil jovens no mercado de trabalho em 2010 no DF. A proposta está centrada no desenvolvimento de um cidadão social e bem-sucedido economicamente, estimulado a conquistar auto-estima e responsabilidade.

Segundo a psicóloga Paula Madsen, especialista em comportamento de crianças e adolescentes, o jovem muda quando entra no mercado de trabalho. “Nessa fase há a busca pela vida adulta”, diz a especialista. “Se ele tiver interesse pela atividade de trabalho, e estiver envolvido, há uma melhora na responsabilidade e no comprometimento”.

Wanderson Batista Bispo, 16 anos, estudante, teve o incentivo da mãe, Sônia Batista Amorim, 59, em conseguir o primeiro emprego em 2011. Ele foi contratado no início desse ano por uma rede de hipermercados em Brasília por meio do programa Menor Aprendiz. O jovem afirma que se sente mais livre com o direito de trabalhar e poder comprar o que deseja com o próprio salário. “Eu me sinto como se estivesse na vida adulta”, relata Wanderson.

Segundo ele, além das mudanças no próprio comportamento, os pais também passaram a agir diferente em casa. “Minha mãe ficou mais feliz e entusiasmada. Meu pai também está muito feliz porque ele, na minha idade, não tinha carteira assinada”, diz o estudante. “Eles sentem orgulho de mim”.

Luigi Antônio Santos Viana, 16, aluno de ensino médio, não tem a aprovação do pai e discorda da decisão. “Ter independência financeira é bom. Você pode sair e comprar o que quiser sem ter que pedir dinheiro sempre para o pai”, afirma Luigi. “A pessoa cria maturidade”. O pai de Luigi acredita que o emprego só deve vir após a formação acadêmica.

O funcionário público Antônio de Pádua Viana Teles, 50 é pai de Luigi e explica sua posição sobre o assunto “Eu tenho um exemplo que não teve o resultado esperado e o efeito foi contrário. Ele perdeu o estímulo pelo estudo”, diz Antônio, em relação a outro filho. O pai alega que quando não há necessidade, o jovem não deve trabalhar, pois o emprego pode atrapalhar os estudos.

22/03/2011 Posted by | Na Imprensa | , , | 2 Comentários

Métodos alternativos e sustentáveis para jardinagem são focos de oficina

A paisagista Rachel Giacomoni palestrou sobre jardins sustentáveis

Os Jardins Sustentáveis: oficinas de compostagem e defensivos alternativos, foi o tema do workshop realizado na manhã do primeiro dia da XI Conferência das Cidades, que ocorreu nos dias 7 e 8 de dezembro, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. A paisagista Rachel Giacomoni Osório ministrou o assunto, que faz parte das discussões sobre novos contextos socioambientais das cidades para o futuro.

O evento abordou a importância das áreas verdes dentro de espaços urbanos, e mostrou os benefícios que elas fazem à sociedade e ao meio ambiente. Os jardins são um dos focos do trabalho da tecnóloga em paisagismo, que realiza o projeto EcoCâmara desde 2004.

A iniciativa consiste numa série de medidas e providências ecologicamente corretas e baseadas em atitudes como a reutilização de materiais e o uso consciente do solo e da água. Segundo Rachel, o cuidado com o jardim adquiriu outro significado, deixando de ser simplesmente um elemento decorativo e passa a ser um modificador social. “Um dos aspectos dele é o financeiro. Tanto que os apartamentos mais caros de Nova York estão em frente ao Central Park”, explica a paisagista.

Outro aspecto adquirido pelo impacto do jardim em áreas urbanas é o do conforto, da qualidade de vida e como espaço de lazer. A tecnóloga afirma que pesquisas internacionais comprovam os benefícios das áreas verdes em meio às cidades, e que são ligados diretamente com o bem estar das pessoas. “Quem trabalha em ambientes agradáveis, com vista para jardins, tem desempenho na performance de melhor eficiência”, aborda.

O projeto “Jardins Sustentáveis”, na Câmara, conta com o trabalho de 35 jardineiros, uma arquiteta e com a gestão de Rachel. A prática sustentável na manutenção dessas áreas, que contam com 210 mil m², é baseada em aspectos sociais, financeiros e ambientais.

Os jardineiros contam com programas de educação e segurança do trabalho, entre eles o incentivo ao combate à dengue. Eles também se adaptaram aos novos métodos de jardinagem, como a reutilização de sacos de café para o armazenamento de mudas e de cabos telefônicos para a amarração de plantas. “A vantagem é que agora a gente reutiliza tudo. Com as novas técnicas, dá mais prazer e é melhor para trabalhar”, afirma Gerivan Fernandes, 35, que trabalha há 13 anos como jardineiro na Câmara.

Com o reaproveitamento dos materiais descartados em outras atividades do órgão, a economia de dinheiro se torna um incentivo. Segundo Rachel, orçamentos anteriores mostram a redução dos gastos. “Eu não tenho como contabilizar o que eu gasto, mas tenho como saber o que eu não gasto. A gente soma efeitos. É o bem estar do jardineiro, da gente, do ambiente. Isso também economiza dinheiro. Isso é sustentabilidade”, diz a gestora.

Com o cultivo de plantas e flores nativas, a manutenção da biodiversidade é garantida em suas várias expressões, levando ao equilíbrio dos ambientes. O resultado disso é a presença de diversas espécies de aves que habitam a região. Pássaros de 170 espécies diferentes foram fotografados por Pedro Carneiro, servidor da casa e biólogo, que desde 2004 registra esses animais em áreas verdes da Câmara. Esse número representa aproximadamente 38% do total de aves já identificadas no DF.

A EcoCâmara é parceira da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e tem acordo com um rede de sementes do cerrado. Conta também com a consultoria do IBRAM (Instituto Brasília Ambiental). O projeto compartilha informações com outros órgãos e oferece oficinas, cursos de horta e atendimento a estudantes. “A gente está aqui para compartilhar”, conclui a palestrante.

Mais informações: Site oficial da XI Conferência das Cidades

Érica Teles

20/12/2010 Posted by | Na Imprensa | , , , | Deixe um comentário

Reciclando dignidade

Reportagem mostra a importância do trabalho dos catadores de materiais recicláveis, que encontram em meio ao lixo sua fonte de renda

Cooperativas exercem uma função que seria do Estado

Fim de show. Sujeira. Restos da festa de uns, viram sustento de outros. As latinhas de alumínio que antes guardavam a alegria, agora guardam a esperança da sobrevivência.  Essa é a realidade de pessoas que encontram nos materiais recicláveis sua alternativa de vida, e transformam as marcas do consumo exagerado em fonte de renda. Isso retrata a diferença social no país, onde a falta de iniciativa governamental, faz grupos de catadores realizarem o trabalho de coleta e reciclagem.

De acordo com o APL (Arranjo Produtivo Local dos Resíduos Sólidos do DF), são recolhidos mensalmente 210 mil toneladas de resíduos próprios para reciclagem. Deste total, 60 mil toneladas são provenientes das residências, e o restante é produzido pelas construções. Entre os principais resíduos encontrados no lixo urbano e que são recicláveis em potencial está o alumínio.

A coleta de latas usadas envolve mais de 160 mil pessoas no Brasil vivendo hoje exclusivamente desta atividade, com renda média de dois salários mínimos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dentre os materiais reciclados no país, o alumínio continua a ser destaque, com índice de reciclagem que supera os 90% há cinco anos.

Isso mantém o país como campeão na reciclagem de latas, entre os países onde esta atividade não é obrigatória por lei. Com isso, as reservas de bauxita, que geram o alumínio, são preservadas, o que evita o impacto ambiental causado pela exploração mineral.

No DF, assim como em todo o país, alguns catadores de alumínio se reúnem em cooperativas. A Centecoop – DF (Central de Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis do Distrito Federal) reúne 22 cooperativas autônomas de catadores. A valorização humana é prioridade no trabalho, que é baseado na economia solidária. No total, são 3.500 pessoas associadas ou cooperadas, e mais 15 mil que trabalham direta ou indiretamente com a reciclagem de materiais no DF.

Coopativa (Cooperativa Popular de Coleta Seletiva

Com a quantidade de lixo produzida na capital, existe uma concorrência entre as próprias cooperativas. Alguns grupos de trabalhadores procuram as administrações dos locais para ter acesso exclusivo aos materiais recicláveis. “Essa semana fizemos uma reunião com a administração do Sia e da Feira dos Importados para a coleta seletiva. Nessa reunião com o administrador e o SLU (Serviço de Limpeza Urbana) ficou combinado que todo o lixo produzido nessa região virá para nossa cooperativa” afirma Edson da Silva, (47), cooperativado da Coopativa (Cooperativa Popular de Coleta Seletiva).

Cooperativas exercem uma função que deveria ser do Estado. Apenas neste ano foi aprovada a Lei de Resíduos Sólidos, sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto deste ano, em Brasília, depois de 20 anos esperando por aprovação no Congresso. A lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que regulamenta a destinação final dos lixos produzidos. Entre as diretrizes da PNRS está a proibição do lançamento de resíduos sólidos em praias, rios e lagos, e queimadas de lixo a céu aberto. A política incentiva também a reciclagem e compostagem – transformação do lixo em adubo – e proíbe a coleta de materiais recicláveis em lixões ou aterros sanitários.

Segundo Genebaldo Freire, (62), professor e gestor ambiental da UCB (Universidade Católica de Brasília), a demora para a aprovação do projeto revela o problema. “Um país que demora tanto tempo para fazer isso, mostra ao mundo que é inepto para estar no caminho da sustentabilidade. O Brasil se salva pela iniciativa privada, pela eficiência das empresas e instituições privadas”, critica o gestor.

Autonomia X União

Entre os que se dedicam à reciclagem, estão os cooperativados e os catadores “autônomos”. O trabalho realizado entre eles é praticamente o mesmo, o de separação dos resíduos. A diferença é o lucro obtido pela venda, que depende da força de trabalho de casa um. Os que têm a liberdade de entregar os recicláveis para qualquer sucateiro podem escolher entre os que pagam melhor, e se o preço oscilar, optar por outro resíduo mais rentável.

As condições em que exercem sua função também os diferenciam. Catadores que não possuem carrinho próprio tendem a se submeter aos critérios de um sucateiro, que cede o instrumento em troca de exclusividade na concessão dos materiais. Possuir o próprio carrinho vira status social.

Já os que se unem a grupos, se tornam parte de um trabalho organizado e mais representativo. “Se não houvesse a construção desse processo de cooperativa e associação, nós não teríamos conseguido o Decreto nº 5.940 – que obriga os órgãos públicos a destinar seus resíduos às cooperativas e associações”, afirma Ronei Alves da Silva, presidente da CENTCOOP . Segundo ele, um cooperativado consegue juntar por mês, em média R$ 200, dependendo da sua produtividade.

Barriga vazia, carrinho lotado

O trabalho informal faz parte da rotina de 20 mil famílias brasilienses. Entre elas está a de Gilson Bezerra, 43. Ele colhe materiais recicláveis, como papelão e latinhas, e nos finais de semana vende artesanato junto com a esposa em feiras locais. “A gente vende o material de quinze em quinze dias, às vezes até mensalmente, e dependendo do trabalho dá para ganhar uns R$ 300”, conta Gilson. “Queria aposentadoria, não me deram, não tenho a quem pedir, vou trabalhar enquanto der”, afirma.

Wellington dos Santos,(41), faz e vende artesanatos de latinhas de alumínio

Há quem prefira trabalhar individualmente com os recicláveis. Wellington dos Santos, (41), é morador de rua e vigia carros. Em seu trabalho informal, produz e vende artesanato de alumínio na quadra 405 sul. Nordestino, veio para Brasília há dois anos, e desde então sobrevive como flanelinha e da ajuda de outros moradores de rua. “Começamos com o artesanato, e os clientes gostaram. Então a gente aumentou a produção para conseguir tirar nosso sustento. A gente percebeu que se ficasse só catando as latinhas, nós perdíamos muito tempo na hora do artesanato, por isso que existem os colaboradores”, afirma. Com o dinheiro da venda do artesanato, Wellington consegue juntar entre R$ 35 e R$ 40. “Com esse dinheiro a gente compra nossos alimentos e ajuda nossa família”, conclui.

A solução para a problemática parte de uma série de medidas. Iniciativas privadas e públicas quanto ao destino correto do lixo, envolvimento da comunidade e programas de educação ambiental são possíveis alternativas.

26/11/2010 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Em busca de um nova política

Por Érica Cristine

Após o período de repressão política e social vivido na ditadura militar, estudantes se organizaram e se mobilizaram em busca de seus direitos. Entre eles estava Paulo Tadeu, morador da cidade serrana do planalto central, Sobradinho. Defendendo convictamente o socialismo, começou então uma luta que, após sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT), ganharia mais sentido e direção. Apoiando sempre a classe trabalhadora, foi eleito em sua primeira candidatura a deputado distrital em 1998, e a partir daí se destacou devido a sua atuação política na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Em entrevista que antecede às eleições de 2010, em que se candidata a deputado federal, Paulo Tadeu fala de seus ideais políticos e  trabalhos em prol da população do DF.

O senhor começou bem cedo na vida política. O que o levou a seguir essa carreira?

Paulo Tadeu: A vida política é inerente a qualquer cidadão, inclusive àqueles que dizem não gostar de discuti-la. Essas pessoas estão, na verdade, optando pelo status quo, acomodando-se com a situação existente. Além disso, à acepção de “carreira política”, que pode significar uma profissão, eu prefiro enxergá-la como um modo de vida. Nesses termos, posso dizer que encaro a prática da política com a convicção de que uma sociedade socialista é muito melhor do que uma capitalista. Veja que as leis podem servir para manter as desigualdades criadas pela estrutura social institucionalizada pelo Estado. Se nascemos todos iguais, todos temos de ter direito às mesmas coisas, aos mesmos bens e aos mesmos serviços. Ultrapassar esse imenso fosso que separa os que tudo têm daqueles que nada têm parece ser o desafio que a sociedade, mais cedo ou mais tarde, terá de enfrentar. E o socialismo é o caminho para isso.

Quais eram os seus principais ideais políticos na época em que começou a atuar como deputado? Esses ideais permanecem até hoje?

Paulo Tadeu: Sempre tive o socialismo como meu ideal político, associado à defesa da classe trabalhadora. Nada disso mudou nos doze anos de mandato na Câmara Legislativa.

Como representante da população de Sobradinho, cidade onde nasceu, qual foi o primeiro benefício concreto que o senhor conseguiu levar à cidade por meio de sua atuação como deputado?

Paulo Tadeu: Houve muitos investimentos novos não só para Sobradinho, como para o DF como um todo, sempre por meio de emendas ao orçamento do DF. A duplicação da DF-150 obteve  ótima repercussão, pois se tratava de antiga aspiração dos moradores de Sobradinho. Houve uma ampla campanha, envolvendo a população para sensibilizar o GDF sobre a importância dessa duplicação. Até hoje ainda vejo carros com adesivo “DF-150 Duplicação Já!”.

O senhor apresentou vários projetos de lei na Câmara Legislativa. Um deles é que institui o Passe Livre Estudantil. O que essa proposta representou na sua carreira política?

Paulo Tadeu: O passe livre estudantil foi uma bandeira vinda do movimento dos estudantes e encampada por mim na Câmara Legislativa. A Lei que garante esse direito é uma prova de que é possível ao Deputado Distrital fazer leis pensando na população, ou melhor, fazer leis para atender às justas reivindicações da nossa população, especialmente quando organizada nos movimentos sociais.

Qual foi a maior dificuldade durante o processo de aprovação do Passe Livre Estudantil?

Paulo Tadeu: A resistência dos donos dos ônibus no DF, que pensam apenas nos seus lucros, esquecendo que o transporte público é uma concessão do Estado e um direito do cidadão. Enfrentar o poderio econômico deles não é tarefa fácil. E o GDF, infelizmente, se submete à vontade de boa parte deles.

No início deste ano, os estudantes enfrentaram a falta de recarga nos cartões do passe livre. O que provocou esse transtorno? Foi um problema operacional ou falhas na Lei? O senhor imaginava que isso pudesse ocorrer?

Paulo Tadeu: A Lei não continha falhas. O problema era exclusivamente operacional. Não significa isso que a Lei não poderia ser aperfeiçoada. Ao contrário, tanto que fizemos alterações no meio deste ano. E uma dessas alterações foi justamente para acabar com as filas, ao determinar que a recarga dos cartões seja feita via web, como é feito com o cartão do vale-transporte.

A política no Brasil, em especial no DF, sofreu diversas “turbulências” com escândalos de corrupção. O senhor acha que é possível fazer o povo voltar a acreditar nos nossos governantes?

Paulo Tadeu: Sim. O povo espera dos políticos honestidade e competência. Quem age com base nesses pilares não enfrenta tanta rejeição. Aliás, as eleições que se aproximam serão excelente oportunidade para o eleitor escolher melhor seus representantes.

O que o senhor acha do Projeto Ficha Limpa? Se não fosse uma iniciativa popular, acredita que ele sairia do papel?

Paulo Tadeu: É uma Lei que traz avanços reais no processo eleitoral brasileiro. Pode ser vista como o início de um processo de depuração. Mas é preciso avançar mais, porque há inúmeras formas legais de contornar as suas disposições. Veja, por exemplo, o caso do ex-governador do DF. Não fosse a renúncia por causa da “bezerra de ouro”, não estaria ele com dificuldades na Justiça. No entanto, desde 2003, ele sofre processos criminais no Judiciário, mas esses processos não vão adiante. Ou porque dependem de autorização do Legislativo, que nunca dá, ou porque ficam transitando de um para outro lugar por conta da mudança do juiz competente para julgá-lo.

Quanto à segunda pergunta, creio ser mais legítima a lei quando a sociedade se mobiliza para resolver seus problemas. As soluções institucionais têm de vir das ruas e não dos gabinetes. Por isso, acho que a Lei da Ficha Limpa tem mais força. Sua fonte direta foi o povo. Isso é muito importante, é bem mais importante do que as leis feitas sem a presença do povo.

21/09/2010 Posted by | Na Imprensa | , , , , | 3 Comentários

“Não tinha teto, não tinha nada”, ou não…

Por Érica Cristine, Larissa Silva e Shismênia de Oliveira

O que para muitos não passa de um trecho de uma canção infantil, é a realidade de muitos brasileiros, que não têm casa e ocupam o espaço público. Os chamados moradores de rua improvisam moradias, e sustentam o teto de plástico com a esperança de uma vida melhor.

 O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não inclui moradores de rua no censo, pois estes não possuem moradia fixa, e obter um número exato de pessoas nessa condição se torna um trabalho mais detalhado.

Segundo dados da Secretaria de Estado e Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), no último levantamento realizado entre janeiro e junho deste ano, dos 1.545 moradores de rua do DF, 64% eram adultos, 24% adolescentes e 12% eram crianças.

Vida sob lonas

Famílias se abrigam às margens da Via L4, em Brasília

Diariamente, agentes da Sedest  fazem rondas diárias em pontos críticos do Distrito Federal com o objetivo de convencer os moradores de rua a irem morar em um dos cinco abrigos públicos existentes na região.  Mas ninguém é obrigado a sair das ruas. “Os abrigos são piores, só tem o que não presta, pelo menos aqui a gente tá em família, e somos todos trabalhadores”, se defende Nilta Paiva dos Santos, 49.

 Além de conversarem sobre o abrigo, os assistentes sociais sugerem outros meios de se ganhar dinheiro. “Os catadores do Riacho Fundo que se associaram a cooperativas ganharam casas do governo”, explica a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira. Por outro lado a moradora que prefere ser chamada de Lúcia diz que eles apenas destroem as coisas e não trazem proposta de ajuda.  “Só tenho a ajuda de Deus para trabalhar”, afirma.

O Núcleo de Atendimento ao Migrante foi uma alternativa criada pela Secretaria para diminuir o número de moradores de rua. Ele se localiza na rodoferroviária e oferece passagens gratuitas para quem quiser voltar para a terra natal. O núcleo faz atendimento às pessoas que chegam a Brasília em busca de tratamentos de saúde, trabalho e documentação. Os migrantes ainda podem contar com serviço de orientação, acolhimento e abrigo.  “Na minha cidade só tem roça, e é melhor passar aperto na cidade do que no interior. Eu não quero voltar”, diz Joselita Socorro, 45, alagoana que mora há mais de seis anos na invasão de Taguatinga com suas cinco filhas.

Estadia provisória

Edinalva vive debaixo de lonas durante a semana por não poder pagar passagem todo dia de volta para casa.

A rua também é lar de quem tem casa, mas não tem dinheiro. Eles são considerados moradores de rua, por que vivem temporariamente debaixo de lonas. “De dia a gente tem que tirar a lona, por que se não a fiscalização tira. Mas quando chove a gente tem que colocar, mas mesmo assim, molha tudo”, desabafa Edinalva Oliveira. A catadora se aloja em barracos próximos à Universidade de Brasilia, e precisa caminhar todos os dias até o lago para lavar roupa e buscar água.

A moradora de Brasilinha, município próximo de Planaltina-DF, é casada e tem dois filhos. Segundo ela, na cidade em que mora não há opção de trabalho. “Eu não trabalho em Brasilinha porque lá é muito difícil de ter emprego, fico triste quando falta comida em casa. Lá você procura uma roupa pra lavar, uma faxina pra fazer e não acha”, desabafa. Ela paga R$ 100 de aluguel. “Eu pago meu aluguel com o dinheiro da reciclagem e meu marido também ajuda”, afirma. Segundo ela, gastar            R$ 8,50 de passagem todos os dias para ir e voltar para casa é praticamente impossível.

Edinalva saiu de Irecê, na Bahia, há dez anos e confessa ter vontade de voltar, mas não dá por falta de dinheiro. “Eu tenho móveis  em casa, a mudança ia ser muito cara. Na minha cidade passei aperto, mas sempre trabalhei. Lá as pessoas vivem do trabalho na roça, mas meus  filhos não querem voltar para lá, porque aqui têm emprego”, lembrou.  Ao ser questionada sobre as condições de vida na capital federal, a  catadora confessa que “na cidade não se passa fome, é melhor passar aperto aqui do que no interior. Em Irecê você tem que plantar, colher e viver daquilo. Aqui  já tem tudo pronto. O lixo da cidade é rico”. Sua amiga Nilta interrompe e diz que “Brasília é pai e mãe”.

Edinalva estudou até a 1ª série do ensino fundamental, e seu marido que lhe ensinou a escrever o nome. “Me incomodo de ter casa e ser vista como moradora de rua, mas tenho que trabalhar honestamente”, diz a catadora comovida. Sobre o fato de passar a semana nas ruas, debaixo de lonas em invasões, ela afirma que prefere ficar nesses lugares a ir para abrigos do governo. Segundo ela, os albergues não oferecem segurança alguma . “Os agentes da Sedest são agressivos e quando chegam aqui levam tudo, não querem nem saber”, conclui Edinalva.Por outro lado a secretaria diz que “Ate cesta básica eles levam”,e a assessoria da Sedest nega a denúncia.

Alternativa econômica

Gilson Bezerra sobrevive da venda de materiais recicláveis e mora na semana numa invasão de Taguatinga

Apesar da vida difícil das ruas, alguns preferem passar a semana nessa condição porque não têm dinheiro para pagar a passagem de volta para casa. Na invasão de Taguatinga, próxima ao Carrefour, moram cinco famílias que convivem em situações precárias. “Aqui não tem água, tem dia que não tem comida, perdi o meu filho ano passado, ele tinha oito meses”, conta Lúcia.

Em uma das cinco famílias está Gilson Bezerra, pai de dez filhos, e que apesar de possuir casa própria no Jardim Ingá-Go, se vê obrigado a passar a semana na invasão. “A passagem é muito cara, é melhor passar a semana aqui”, relata o catador. Durante esse período o trabalho dele é colher materiais recicláveis, como papelão e latinhas, e nos finais de semana vende artesanato junto com a esposa em feiras locais. “Queria aposentadoria, não me deram, não tenho a quem pedir, vou trabalhar enquanto der”, afirma. A renda que obtém como catador o auxilia em seu tratamento cardíaco, e frequentemente precisa ir ao médico. A consulta é particular, pois não conseguiu vaga na rede pública, e a cada visita Gilson precisa desembolsar R$ 190. O dinheiro ás vezes não é suficiente para cobrir todos os gastos, e ele precisa da ajuda das filhas. Três filhas vivem na invasão e são catadoras.

    Políticas de solução

Entre os benefícios que a Sedest oferece estão o Auxílio Aluguel, que ajuda quem não tem condições de pagar (embora o benefício dure apenas três meses), passagem de volta para a cidade natal e abrigo em albergues, como a Casa de Passagem “Conviver”, no Setor de Garagens Oficiais Norte. No local as famílias passam o dia e recebem alimentação e tratamento médico. São oferecidos ao todo, 26 programas sociais para retirar as pessoas das ruas.

 

 

 

Sem esmolas

A Sedest  afirma que a ação é difícil por que alguns moradores de rua  não aceitam os benefícios. Segundo a assessora de comunicação da secretaria, Marina Junqueira, a maioria deles prefere permanecer onde estão, pois alegam que ganham mais do que se estivessem em abrigos. Ela diz também que a população contribui para a permanência dessas pessoas em tais locais. “A comunidade ajuda, e assim eles preferem ficar lá”, completa a assessora. “As pessoas vêm aqui, e trazem comidas e roupas para a gente. Mas tem muita gente, e no final do ano os barracos aumentam”, confirma Joselita Socorro.

A prática do “esmero”

Com a intenção de praticar a inclusão social e o progresso da qualidade de vida dos moradores de rua, foi criada uma proposta em 2006: a Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua. Ela tem por objetivo refletir a maneira de sobrevivência de tais moradores em áreas públicas, e tentar combater a desigualdade social, instituída pelo capitalismo. A exclusão traz danos morais, e facilita o desinteresse pelo trabalho, destrói laços familiares e comunitários. 

Feita pelo Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto por alguns ministérios, como o Ministério de Desenvolvimento e Combate à Fome e Ministério do Trabalho e Emprego, além da Secretaria de Direitos Humanos, e representantes do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), a Política apresenta alguns princípios e diretrizes que elaboram a mudança da ação pública às questões da população.

Porém, a transparência dessas garantias não chega aos moradores. “Nunca ninguém veio aqui procurar a gente para arrumar emprego”, conta Gilson Bezerra. “A assistência social vem aqui só para fiscalizar e levar tudo que conseguimos no dia com a reciclagem”, desabafa o morador da invasão de Taguatinga. Apesar de haver o consentimento por parte do governo, os moradores reclamam da falta de incentivo. Alegam que fazem parte do Brasil, e merecem dignidade. “Na hora de votar é a gente que coloca eles, mas depois a gente não recebe nada em troca, só miséria”, diz Ednalva Oliveira.

30/11/2009 Posted by | Na Imprensa | , , | Deixe um comentário