Horizonte de Palavras

Porque escrever é olhar além…

As várias formas de amar…

Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando eu mais preciso

Falamos à beça de amor. Apesar das nossas singularidades, temos pelo menos esse desejo em comum: queremos amar e ser amados. Amados, de preferência, com o requinte da incondicionalidade. Na celebração das nossas conquistas e na constatação dos nossos fracassos. No apogeu do nosso vigor e no tempo do nosso abatimento. No momento da nossa alegria e no alvorecer da nossa dor. Na prática das nossas virtudes e no embaraço das nossas falhas. Mas não é preciso viver muito para percebermos nos nossos gestos e nos alheios que não é assim que costuma acontecer.

Temos facilidade para amar o outro nos seus tempos de harmonia. Quando realiza. Quando progride. Quando sua vida está organizada e seu coração está contente. Quando não há inabilidade alguma na nossa relação. Quando ele não nos desconcerta. Quando não denuncia a nossa própria limitação. A nossa própria confusão. A nossa própria dor. Fácil amar o outro aparentemente pronto. Aparentemente inteiro. Aparentemente estável. Que quando sofre não faz ruído algum.

Fácil amar aqueles que parecem ter criado, ao longo da vida, um tipo de máscara que lhes permite ter a mesma cara quando o time ganha e quando o cachorro morre. Fácil amar quem não demonstra experimentar aqueles sentimentos que parecem politicamente incorretos nos outros, embora costumem ser justificáveis em nós. Fácil amar quando somos ouvidos mais do que nos permitimos ouvir. Fácil amar aqueles que vivem noites terríveis, mas na manhã seguinte se apresentam sem olheiras, a maquiagem perfeita, a barba atualizada.

É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. Nos cafés, após o cinema, quando se pode filosofar sobre o enredo e as personagens com fluência, um bom cappuccino e pão de queijo quentinho. Nos corredores dos shoppings, quando se divide os novos sonhos de consumo, imediato ou futuro. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nos encontros erotizados, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.

Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. E fala o tempo todo do seu drama com a mesma mágoa. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando até a própria alma parece haver se retirado.

Difícil é amar quando já não encontramos motivos que justifiquem o nosso amor, acostumados que estamos a achar que o amor precisa estar sempre acompanhado de explicação. Difícil amar quando parece existir somente apesar de. Quando a dor do outro é tão intensa que a gente não sabe o que fazer para ajudar. Quando a sombra se revela e a noite se apresenta muito longa. Quando o frio é tão medonho que nem os prazeres mais legítimos oferecem algum calor. Quando ele parece ter desistido principalmente dele próprio.

Difícil é amar quando o outro nos inquieta. Quando os seus medos denunciam os nossos e põem em risco o propósito que muitas vezes alimentamos de não demonstrar fragilidade. Quando a exibição das suas dores expõe, de alguma forma, também as nossas, as conhecidas e as anônimas. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, para caminhar ao seu encontro.

Difícil é amar quando o outro repete o filme incontáveis vezes e a gente não aguenta mais a trilha sonora. Quando se enreda nos vícios da forma mais grosseira e caminha pela vida como uma estrela doída que ignora o próprio brilho. Quando se tranca na própria tristeza com o aparente conforto de quem passa um feriadão à beira-mar. Quando sua autoestima chega a um nível tão lastimável que, com sutileza ou não, afasta as pessoas que acreditam nele. Quando parece que nós também estamos incluídos nesse grupo.

Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja o tempo em que o outro mais precise se sentir amado. Para entender, basta abrirmos os olhos para dentro e lembrar das fases em que, por mais que quiséssemos, também não conseguíamos nos amar. A empatia pode ser uma grande aliada do amor.

Texto de Ana Jácomo

05/04/2011 Posted by | Crônicas | , , , | Deixe um comentário

Des(Ilusão)

Definição de “desilusão”: Burro é você que ainda espera algo de alguém!

“Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões.” Alexandre Pope

Cachorrinho desiludido. Não tinha ração na sua vasilha. =/

Se desiludir é a coisa mais fácil que existe. Não costuma acontecer com as pessoas que você conhece, mas sim com aquelas que você pensa conhecer.

Entre as coisas que me deixam verdadeiramente frustrada, a desilusão talvez seja a maior delas. Não vou dizer que nunca li frases como: “Ilusão não mata, ensina a viver”, ou então “a melhor maneira de não se iludir com alguém é não esperar nada dessa pessoa”. Ok! Falar assim é bem fácil e simples. Mas o que me deixa irritada é que não é primeira vez (nem será a última) que quebro minha cara com a atitude das pessoas.

Amigos, familiares, amores… Todos um dia irão te decepcionar. Desculpa se destruí suas expectativas de achar alguém perfeito! Esse mundo tão cheio de coisas superficiais acaba nos deixando desacreditados de (quase) tudo. Parece que todo mundo já está meio vacinado contra isso, mas não é bem assim. O ser humano apesar de toda experiência,(ou falta dela) uma hora ou outra aposta em alguém. Cria sim expectativa. É natural. Entre esperar algo de alguém e investir na bolsa de valores do Cazaquistão, invista na bolsa! FATO! É menos risco, sabe?

Mas calma aí… Qual o problema em acreditar nas pessoas? Você só tem dois caminhos: Ou acerta ou se ferra de uma vez, pra variar.

No final das contas, a esperança é a última que morre. Ah váaaah! Minha avó acreditava nisso. Não leva isso a sério ok?

“A desilusão é a visita da verdade.” Chico Xavier

19/07/2010 Posted by | Crônicas | Deixe um comentário

“A gente não faz amigos, reconhece-os.”

 “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores… mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Vinícius de Moraes

Sim, eu também enlouqueceria…

Nos perguntamos constantemente por que os amigos são tão importantes em nossa vida? A resposta é simples: São as únicas pessoas  que podemos escolher. Durante meus 19 anos conheci muita gente, e uns certamente ficaram guardados pra sempre. Meus caros e bons amigos.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Existem aqueles que foram os primeiros, sim, aqueles lá do parquinho da praça, que ao primeiro minuto de brincadeira, já se tornaram seus melhores companheiros. E como não falar dos amigos da escola ou faculdade? Sim, estes passaram com você uma parte do tempo que nem sua família estava presente. Se o assunto é diversão, não podemos esquecer os amigos de festa… Talvez estes não sejam tão verdadeiros, mas divertidos… sem dúvida!

E por fim, chego aos incontestáveis. Os amigos de toda hora. São aqueles que você liga meia-noite e fala: “Preciso desabafar, pode me ouvir e chorar comigo?” Certa vez uma amiga (tenho que citar nomes =p: Aninha) me disse:

“Nossa vida é como uma viagem de trem. Paramos em muitas estações e nelas entram e saem pessoas. Muitos ficarão com você até o fim da viagem, outros tomarão seu rumo e seguirão suas vidas. Amigos são aqueles que ficam com você até o ponto de chegada.”

Eu comecei agora minha viagem pelos trilhos sinuosos da vida, e sei que muitos passarão por mim, mas só os especiais ficarão comigo até a estação da realidade.

Meus bons amigos, onde estão
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?
Nossos sonhos, realidades
Todas as vertigens, crueldades
Sobre nossos ombros aprendemos a carregar
Toda a vontade que faz vingar
No bem que fez pra mim
Assim, assim, me fez feliz, assim
O amor sem fim
Não esconde o medo
De ser completo e imperfeito

Frejat

Feliz Dia do Amigo.

 

20/07/2009 Posted by | Crônicas | , , , , , | 2 Comentários

Tarde de terror

Foto: Cristiano Borges

Foto: Cristiano Borges

Era mais um dia que se passava e, como sempre, eu e muitas outras pessoas perdíamos nosso tempo e dinheiro em grandes centros comerciais, símbolos do Capitalismo, que mexem com o nosso subconsciente e nos atraem de tal forma a gastar até aquilo que não temos. Meus planos para aquele dia eram: almoçar e ir ao cinema ver um filme de ação como era de costume, mas eu mal esperava que a vida real me oferecesse algo muito mais surpreendente.

 Na fila da bilheteria, ouvi um barulho estranho; era uma explosão misturada com gritos de pessoas desesperadas. Confesso que sou muito curiosa e não me segurei ao correr até lá e me deparar com algo impensável: um resto de avião estava pegando fogo no estacionamento do shopping. A asa direita ainda pegou de raspão no carro importado da madame que esperneava descontroladamente. Pobre mulher rica, tão fútil quanto insensível.

 Era difícil de acreditar, mas um homem acabara de jogar uma pequena aeronave contra o estacionamento. O espanto tomou conta de todos. As patricinhas faziam cara de horror e eu realmente acreditei em suas feições. Ao descobrir que no avião também estava a pequena Penélope, filha do psicopata, uma pobrezinha de apenas cinco anos, fiquei conturbada e não conseguia entender o porquê daquela loucura. O público se reuniu em torno dos destroços e nos perguntávamos: O que faz um pai se matar e romper a trajetória de vida da sua própria filha? Loucura? Obsessão?  Desespero? Eu não tenho dúvidas, aquele homem não era normal e tinha problemas muito sérios. Não se sabe muito a seu respeito, apenas que ele gostava de voar, de altura e cultuava a morte. Ele podia ser apaixonado pelos céus, mas sua perturbada personalidade o deixou bem longe do azul celeste.

07/05/2009 Posted by | Crônicas | , , , , | Deixe um comentário