Horizonte de Palavras

Porque escrever é olhar além…

Trabalho voluntário no exterior: solidariedade e vivência na bagagem

Jovens e adultos buscam experiência em outro país para enriquecer a vida pessoal e o currículo

A possibilidade de aliar solidariedade, novas experiências, viagem internacional e o aprimoramento profissional tornou o trabalho voluntário no exterior uma atividade muito procurada por jovens e adultos. Para quem busca esse tipo de vivência, um dos fatores interessantes é ajudar no desenvolvimento de projetos socioculturais, contribuindo com quem mais precisa. A recompensa? Uma bagagem carregada de novas visões, perspectivas e aprendizado.

Foi exatamente para ajudar pessoas de culturas diferentes que Marília Watts, 26, decidiu fazer um intercâmbio voluntário. Fatores como dominar um idioma, querer viajar e praticar a solidariedade motivaram a decisão. “Sempre gostei de ajudar as pessoas, de diversas maneiras, da gentileza à filantropia, e fazer isso atrelado a uma viagem pareceu bastante interessante”, afirma Marília. Por gostar de destinos exóticos, optou pelo Marrocos, que tinha um programa de voluntariado para ensinar inglês em ONGs. No meio deste ano, Marília foi designada à ONG Amam Salé. Por duas semanas, ensinou inglês a adolescentes de níveis básico e intermediário.

A estudante de jornalismo Mariana Fagundes também buscou no trabalho voluntário uma oportunidade para fazer algo que não se resumisse apenas a estudar ou trabalhar fora do país. “Meu ideal de intercâmbio era que a experiência mudasse não só a minha vida, mas também a de outras pessoas”, explica Mariana. Foi por meio da Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Sociais (Aisec) que ela escolheu se aventurar no trabalho voluntário em outro país. A Aisec oferece suporte para a realização de ações sociais e é considerada a maior organização de estudantes do mundo.

Ao conhecer a proposta do grupo, Mariana se encantou pela possiblidade de aprendizado pessoal e embarcou na experiência. Ela foi para Novosibirsk, na Sibéria, a terceira maior cidade da Rússia, e ficou lá por um mês. Durante o programa do intercâmbio de voluntariado, a estudante fazia a cobertura de eventos com fins sociais. Tudo era publicado no jornal cultural da região. “A experiência foi extremamente enriquecedora, muito mais do que só pelo trabalho. Fiz grandes amigos e descobri aspectos de mim mesma que eu nem imaginava que existiam”, afirma a jovem.

Não existem dados oficiais sobre a quantidade de brasileiros que viajam a outros países para ser voluntários. Mas de acordo com a Agência Experimento, especializada na área, neste ano houve um aumento de 80% em relação a 2011. Geralmente, quem busca a experiência são recém-formados que já fizeram algum tipo de intercâmbio ou quem deseja aprimorar o idioma.

O mercado, cada vez mais exigente, busca profissionais ímpares e o trabalho voluntário é uma oportunidade para se destacar. “O grande diferencial é que o mercado atual quer e ‘exige’ que o profissional não seja o padrão. E o programa mostra o interesse em servir e cuidar do próximo”, afirma a consultora de RH da Agência Experimento, Kassiana Pozzati. Além disso, segundo Kassiana, um profissional que passa por essa experiência é mais bem visto pelas empresas. “Há uma enorme valorização. Não basta ter feito intercâmbio, tem que buscar algo mais e o programa de trabalho voluntário, por si só, é o algo mais”, completa.

O programa de voluntariado da Experimento é oferecido em vários países: África do Sul, Albânia, Gana, Guatemala, Índia, Irlanda, Marrocos, Nepal, Nigéria, Turquia e Estados Unidos. Para participar, é necessário ter um nível avançado de algum idioma e ter mais de 18 anos. Em geral, as agências encaminham o voluntário de acordo com a necessidade de cada comunidade. Por isso, qualidades como pró-atividade e boa vontade são requisitos essenciais para quem encara a experiência. Os programas duram, no mínimo, duas semanas e os participantes ficam hospedados em casas de família ou alojamentos. Segundo a agência, os preços variam, mas existem programas a partir de U$$ 1 mil.

Confira o relato de Marília

Anúncios

08/02/2013 Posted by | Multiplicidade | Deixe um comentário

Fãs se unem para praticar ações voluntárias

Paixão pelo mesmo ídolo é ponto inicial para engajar jovens em trabalhos sociais

É comum encontrar fãs que se reúnem para compartilhar sua idolatria. Os fã clubes, agora mais organizados devido, principalmente, a comunicação ampliada pela internet, puderam ir além e atuar em diferentes ações. Pessoas que gostam da mesma coisa, reunidas pelo mesmo objetivo: ajudar ao próximo. Jovens apoiam seus ídolos e suas causas sociais e encontram, nesta atitude, uma forma de contribuir voluntariamente por um mundo com menos desigualdade.

Movimentos sociais feitos por fãs ganham cada vez mais proporção na internet. É o caso dosnerdfighters, termo usado para identificar as pessoas que integram a comunidadenerdfighteria. Eles se classificam como “nerds que batalham para aumentar os níveis de ‘awesome’ [ ]e diminuir os níveis de ‘suck’ [chatice] do mundo”. Esse grupocresceu em torno dos vídeos postados num canal do Youtube a partir de 2007 por dois irmãos. A intenção deles era apenas se comunicar, mas isso tomou dimensões maiores. Um dos contribuidores é John Green, vlogger e autor de livros para jovens adultos.

Junto com a crescente fama na internet, o canal no Youtube ganhou outra dimensão, e os irmãos Green começaram, no ano passado, o Project for Awesome (P4A)Basicamente é um movimento no qual as pessoas postam vídeos divulgando a instituição de caridade preferida, com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar a manter essas organizações.

O projeto ganha mais força nos dias 17 e 18 de dezembro e recebe até colaboração do Youtube. Embora constantemente os vídeos sejam postados na rede, durante esses dois dias os militantes fazem uma força-tarefa para aumentar a audiência. Em 2011, no primeiro dia de votação, foram arrecadados 70.000 dólares. Para cada dólar arrecadado, o site doava outro dólar. O critério para distribuição das doações segue a regra da audiência. As cinco instituições de caridade que receberem mais votos serão as beneficiadas.

Faz parte das ações do P4A , também, curtir, compartilhar e comentar esses vídeos. Osyoutubers pedem votos para a sua instituição a fim de conseguir as doações. Com isso, os fãs da solidariedade ajudam a dar visibilidade a quem trabalha voluntariamente. Essas atitudes tornam os integrantes da nerdfigteria voluntários também.

Às vezes, fazer vídeos não é o suficiente e a vontade de ajudar ultrapassa barreiras. Foi o que aconteceu com Priscilla Kurtz, 30 anos. Ela mora em Curitiba e apadrinhou uma criança do Fundo Cristão de Minas Gerais há cerca de dois anos. Sua paixão pela causa e pela pequena Marcela a levou a fazer um vídeo para o Project for Awesome. Segundo Priscila, o contato com a afilhada é feito por cartinhas, mas ela conta ter ido além. “O mais emocionante para mim – e ainda me emociona – foi receber a cartinha da Marcela, minha afilhada, agradecendo pela cesta de Natal que mandei pra família dela. Eu não os conheço pessoalmente, mas pensei que não me custava gastar um dinheiro pra ter certeza que eles teriam um Natal com uma comidinha gostosa”, explica.

Outra voluntária que participa do universo do Project for Awesome é Monnique Azeredo. Ela conheceu o movimento por meio dos vídeos que já estavam na rede. Ano passado ela ajudou a divulgar o projeto, mas afirma que em 2012 pretende fazer um vídeo sobre o trabalho do Lar Amigos de Jesus, no Ceará, um abrigo para crianças com câncer e transplantadas.

De acordo com ela, a vontade de ser voluntária vem de sua crença. Monnique é católica e desde criança participa de trabalhos voluntários em creches, abrigos e asilos. “Quando vi que podia mobilizar mais gente a participar e que poderia ajudar através de vídeos – coisa que eu amo, mas nunca tinha pensado-  fiquei encantada”, ressalta a jovem. E quanto ao retorno, ela é categórica: “Sei que parece clichê, mas a gente sempre recebe mais do que dá nesses momentos de voluntariado. A gente aprende muito a agradecer pelo que temos, quando vemos a situação das outras pessoas. Ser capaz de trazer um sorriso pra uma criança com dor, por exemplo, não tem preço”, enfatiza a voluntária.

“Saber que nossas habilidades editando vídeos e nosso tempo gasto no Youtube, Facebook e Twitter podem ser revertidos para ajudar pessoas ao redor do mundo é muito reconfortante, além de extremamente divertido”, completa Monnique.

Inspiradas por Dulce

O que acontece quando se reúne um grupo de meninas apaixonadas por uma personalidade da música que promove ações sociais? A resposta é trabalho voluntário.“Dulcetes” é o nome dado às fãs da cantora mexicana e ex-integrante do grupo RBD, Dulce Maria e que além de cantar e idolatrar a jovem, também realizam voluntariado por todo o Brasil e o mundo. Por aqui, elas atuam desde 2008, inspiradas nas ações do Instituto Dulce Amanecer, fundado e mantido pela cantora.

Contribuir com o bem estar de quem vive em asilos, abrigos ou orfanatos é a missão das Dulcetes.

Segundo a presidência do Fã Clube Dulcetes Brasil, em 2011 a Fundação Dulce Amanecer convocou fãs de todo o mundo para comemorarem o aniversário da cantora em instituições filantrópicas ou eventos beneficentes. Isso gerou uma onda de voluntariado por parte dessas jovens

“Nós levamos doações que arrecadamos de membros (roupas, alimentos, brinquedos, ração) e realizamos uma festa com alguns membros no local (asilos, creches, orfanatos) para levar um pouco da música de Dulce Maria a eles, e deixá-los um pouco mais felizes”, afirma o fã clube.  Além disso, elas levam algo inestimável, amor. “Nós levamos mais que doações. Sempre procuramos passar um tempo com as pessoas para conversar ou brincar. Acreditamos que às vezes um pouco de atenção pode ser nosso maior presente”, completa o grupo.

Elas destacam que importante é seguir e dar bons exemplos. “Somos jovens e se temos tanta força para apoiar nossos ídolos, porque não usar dessa energia para ajudar a quem precisa também? Queremos permitir aos nossos membros e representantes que vivenciassem a experiência única que é a de praticar o bem e oferecer amor. Dulce certamente é o nosso grande exemplo e a nossa maior motivação”, finalizam as Dulcetes.

Abaixo, uma montagem com trechos dos vídeos do Project For Awesome:

No último semestre da faculdade, durante a disciplina de Agência de Notícias, eu e mais duas colegas, as queridas Fernanda Faleiro e Hellen Leite, escrevemos matérias sobre trabalho voluntário. Os textos eram postados no meu outro blog, o Reação do Bem, que virou o nosso espaço de divulgação desses trabalhos. Resolvi colocá-los aqui também, porque é sempre bom divulgar boas ações como estas, de pessoas que dedicam a vida a fazer o bem ao próximo. 

 

 

 

08/02/2013 Posted by | Multiplicidade | Deixe um comentário