Horizonte de Palavras

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Seleção para projeto ambiental começa em julho

 Fora da sala de aula, estudantes têm a oportunidade de conhecer a realidade do Cerrado por meio do trabalho de ong com escolas públicas

Alunos a bordo do Catamarã na Operação Cerrado, Módulo Lago

A segunda edição do Operação Cerrado se prepara para receber estudantes a partir do segundo semestre de 2011. A iniciativa promove a concientização ambiental por meio de saídas de campo com jovens de 9 a 14 anos, alunos de escolas públicas do Distrito Federal. O programa foi lançado em agosto de 2010 e é vinculado ao Instituto Aquanautas, organização da sociedade civil de interesse público. Ela atua em parceria com a Secretaria de Educação e se dedica ao desenvolvimento de pesquisas para a preservação do meio ambiente. Além disso, o Aquanautas leva até as escolas o Cinema Ambiental e disponibiliza na internet diversos conteúdos educativos.

O projeto é divido em quatro tipos. O módulo Lago leva os alunos por dois dias ao Paranoá. Lá, eles aprendem a identificar peixes e entendem a relação das águas com a região. A bordo do Catamarã, os estudantes recolhem microorganismos para análise biológica. No módulo Caverna, uma mistura de disciplinas possibilita, por meio de pinturas rupestres, compreender como se deu a ocupação da região do Cerrado, além de aulas práticas de manejo de solo e identificação de espécies animais.

Existe, ainda, o módulo Cidade, que mostra aos jovens o impacto ecológico proveniente do mau uso dos recursos naturais dentro dos centros urbanos, além das consequências do descarte incorreto de matérias poluentes. Já o Cine Aquanautas leva às escolas públicas do DF um cinema que mostra por meio de vídeos, as experiências de parceiros da iniciativa com diversos animais em rios da região e de Tocantins.

De acordo com o biólogo e coordenador da Operação Cerrado, Leandro de Castro Siqueira, 38, que também é consultor técnico da iniciativa, o projeto não tem apenas como objetivo exclusivo a ecologia, mas tratar da história da ocupação humana na região, além de abordar temas relacionados à astronomia, geologia e organização do Brasil. “Procuramos ser complementares à formação recebida pelos estudantes no ensino formal, contribuindo para que eles pudessem ter contato com o conteúdo recomendado, porém de forma diferente, mais prática e com um gostinho de aventura”, explica Leandro. “Além disso, tentamos trabalhar os conceitos de cidadania, discutindo com eles seus direitos e seus deveres para que possam ter um meio ambiente adequado”.

Desde sua criação, o projeto já contribuiu para a formação de aproximadamente 30 mil alunos de 50 escolas públicas do DF. Segundo o presidente do Aquanautas, Luiz Rios, o objetivo agora é superar o resultado alcançado no ano passado e atender instituições de ensino que ainda não participaram.

Conscientização

A professora e coordenadora da Escola Integral, do Centro de Ensino Fundamental 03 do Gama, Sandra Rodrigues César, 36, participou, junto com os alunos, do módulo Cidade em novembro do ano passado. A oportunidade trouxe mudanças na atitude das crianças. “Nossa escola foi invadida pela consciência ecológica”, relata Sandra. “Foi fantástico! Como professora de ciências, sempre me encanta quando vejo os olhinhos dos meus alunos brilhando diante de novas descobertas”.

A experiência deixou a aluna Isadora Silva Lima, 11, da 6ª série, mais consciente da preservação. “Depois da Operação Cerrado, eu tive uma noção melhor da importância desse bem precioso que é a natureza”, explica. E não foi só Isadora que aprendeu com a saída de campo. A aluna da 7ª série Karen Mayumi Matsumoto, 12, acredita que cuidar do planeta é garantir qualidade de vida. “Conservando o ambiente, poderemos ter uma vida melhor a cada dia. Pude observar de perto a importância da reciclagem, porque devemos economizar água, entre outras”, conclui a estudante.

Para 2011, Luiz afirma que existem novos projetos para o DF e outros estados, incluindo a Costa Brasileira. No momento, o Aquanautas se prepara para iniciar a Operação Cerrado, a partir do segundo semestre desse ano.“Estamos em fase de aprovação e liberação de recursos, incluindo o Operação Cerrado 2011”, relata o presidente da instituição.

Sobre os critérios de seleção das escolas que partipam do projeto, Leandro explica que fica sob responsabilidade de cada regional de ensino. “Partimos do princípio de que cada diretoria conhece melhor as escolas de sua região e pode selecionar de forma mais adequada as que têm maior compromisso com a proposta do nosso projeto”, afirma.

O biólogo defende que o intuito da Operação Cerrado vai além da educação ambiental. “Esperamos que os jovens selecionados para participar da Operação Cerrado não só sejam estimulados a pensar sobre seus valores e ações, mas que também possam se tornar líderes e multiplicadores dessa forma de perceber o meio ambiente e de agir nas suas escolas e na região onde moram”, conclui.

Quer saber mais? Acesse: http://www.operacaocerrado.org.br

26/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Tolerância e respeito jogam no mesmo time

Contra a violência, torcedores superam rivalidade

Érica Teles

Futebol é paixão brasileira, mas a manifestação pacífica está cada vez mais rara. Os casos de violência envolvendo torcedores estão cada vez mais comuns, no entanto, por amor ao esporte, algumas pessoas conseguem superar a rivalidade entre seus times. Em tempos de final de campeonato, o carinho pelo clube aumenta e em alguns casos, não dá espaço ao desrespeito nem à violência. Eles torcem pelo mesmo time, o da tolerância.

Rivalidade é deixada de lado por amor ao futebol

 Vasco e Flamengo, Corinthians e Palmeiras, Gama e Brasiliense. Grandes rivais dentro de campo podem ter uma convivência pacífica fora. A rivalidade deve ser algo saudável, como defende um torcedor do Palmeiras, o auxiliar administrativo Antonio Henrique Rodrigues Braga, 22 anos. “Eu acho que é uma questão de gosto, assim como brigar por música ou por partido político. A briga não irá fazer com que você mude de time”, afirma.

A opinião de Henrique não é isolada. Os que acreditam no verdadeiro espírito do futebol, que é unir as pessoas em torno de um mesmo objetivo, defendem a paz e o respeito ao próximo, independente da camisa que vestem. As diferenças são relevadas e a briga se restringe ao gramado.

Vascaíno desde criança, o promotor comercial Alex Sandro dos Santos, 27, defende que as pessoas têm que se respeitar, aceitando a escolha de time de cada um. “Tento levar na brincadeira, não tem outro jeito. Rivalidade é rivalidade”, relata Alex. “A melhor forma é levar na esportiva”.

A psicóloga do Programa da Mulher Atleta, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Mariana Mendes de Moura Oliveira, explica que superação da rivalidade depende da situação. Amigos, por exemplo, podem se respeitar melhor como torcedores rivais. “Se for uma amizade antiga entre garotos, é provável que o assunto futebol não seja pauta de qualquer conversa”, afirma. 

A especialista confirma que se o objetivo for o mesmo, o amor ao esporte é capaz de deixar de lado a rivalidade. “Alguns blogs são escritos por torcedores de times rivais, mas antes disso são amigos que preferem divulgar informações sobre o esporte do que apenas “brigar” por seu time”, conclui.

Torcida da paz

O estudante torcedor do São Paulo, Victor Matheus Correia, 20, acha que atitudes pacíficas dentro do futebol estão ficando cada vez mais raras. Para ele, é difícil dar o braço a torcer e dizer que o rival é melhor. “É questão de orgulho e de cultura também”, declara. Victor defende que para mudar a situação seria preciso uma transformação na atitude dos torcedores. “Precisaria haver uma mudança na forma como o brasileiro enxerga a rivalidade e o futebol”, explica.

O universitário Pedro Ventura Patrocínio, 22, torcedor do Gama, se diz amante do futebol e explica que supera a rivalidade fora do gramado. “Já xinguei o jogador dentro de campo, e na mesma noite confraternizamos na casa de um amigo. Esse mesmo jogador é namorado de uma amiga minha, na qual sua família é gamense roxa”, relata. Pedro defende que é preciso conscientizar os torcedores. “Estimulo as pessoas que freqüentam os estádios que a única a sofrer com a violência deve ser a bola, com os chutes dos jogadores”, brinca.

“Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos”

O diretor da torcida do Flamengo na capital, Raça Rubro Negra de Brasília, Danielton Lima, afirma que é cobrada dos torcedores uma atitude positiva e contra a violência. “Cobramos sim postura dos nossos integrantes, e sempre procuramos conscientizá-los que o futebol é festa, e que a existência de uma torcida organizada é apenas uma: apoiar o clube onde é que ele esteja”, declara. “Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos[…] mas não existe incentivo pela intolerância, e sim trabalhos sérios desenvolvidos por diretorias de várias torcidas organizadas”, esclarece.

23/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário