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Jovens buscam oportunidade e independência financeira

17,3% dos trabalhadores do DF são adolescentes; especialista diz que atividade pode melhorar responsabilidade

Por Érica Teles

Os adolescentes representam 17,3% dos trabalhadores empregados na capital brasileira, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos, Sociais e Estatísticos (Dieese), divulgada em janeiro desse ano pela Secretaria de Estado de Trabalho do Distrito Federal (Setrab-DF).

A Lei 10.097/2000, ou Lei da Aprendizagem, que garante ao jovem de 14 a 24 anos a possibilidade de ser contratado em condição de aprendiz por uma empresa, contribui para a inclusão do adolescente que procura crescimento pessoal e autonomia financeira. Os números mostram que, cada vez mais, o jovem procura sua independência financeira.

Érica Teles

Ter a carteira assinada como aprendiz é uma conquista para o jovem

De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), o projeto Aprendiz Legal inseriu 2,3 mil jovens no mercado de trabalho em 2010 no DF. A proposta está centrada no desenvolvimento de um cidadão social e bem-sucedido economicamente, estimulado a conquistar auto-estima e responsabilidade.

Segundo a psicóloga Paula Madsen, especialista em comportamento de crianças e adolescentes, o jovem muda quando entra no mercado de trabalho. “Nessa fase há a busca pela vida adulta”, diz a especialista. “Se ele tiver interesse pela atividade de trabalho, e estiver envolvido, há uma melhora na responsabilidade e no comprometimento”.

Wanderson Batista Bispo, 16 anos, estudante, teve o incentivo da mãe, Sônia Batista Amorim, 59, em conseguir o primeiro emprego em 2011. Ele foi contratado no início desse ano por uma rede de hipermercados em Brasília por meio do programa Menor Aprendiz. O jovem afirma que se sente mais livre com o direito de trabalhar e poder comprar o que deseja com o próprio salário. “Eu me sinto como se estivesse na vida adulta”, relata Wanderson.

Segundo ele, além das mudanças no próprio comportamento, os pais também passaram a agir diferente em casa. “Minha mãe ficou mais feliz e entusiasmada. Meu pai também está muito feliz porque ele, na minha idade, não tinha carteira assinada”, diz o estudante. “Eles sentem orgulho de mim”.

Luigi Antônio Santos Viana, 16, aluno de ensino médio, não tem a aprovação do pai e discorda da decisão. “Ter independência financeira é bom. Você pode sair e comprar o que quiser sem ter que pedir dinheiro sempre para o pai”, afirma Luigi. “A pessoa cria maturidade”. O pai de Luigi acredita que o emprego só deve vir após a formação acadêmica.

O funcionário público Antônio de Pádua Viana Teles, 50 é pai de Luigi e explica sua posição sobre o assunto “Eu tenho um exemplo que não teve o resultado esperado e o efeito foi contrário. Ele perdeu o estímulo pelo estudo”, diz Antônio, em relação a outro filho. O pai alega que quando não há necessidade, o jovem não deve trabalhar, pois o emprego pode atrapalhar os estudos.

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22/03/2011 Posted by | Na Imprensa | , , | 2 Comentários