Horizonte de Palavras

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Batida une talento com proteção ambiental

Música que rima com sustentabilidade é a marca do Patubatê

Por Érica Teles

Experimente juntar latas, panelas, escapamento de automóveis, baldes de plástico e uma bela dose de criatividade. O resultado é a matéria-prima do Patubatê, grupo de percussão que mistura som com consciência ecológica, e inova no conceito de musicalidade sustentável. Há dez anos, eles transformam sucata em instrumento musical, e transmitem a experiência por meio de oficinas e apresentações pelo Brasil, Europa, África e Estados Unidos.

Na busca por uma sonoridade diferente, Fernando Mazoni, Fred Magalhães e o DJ Leandronik exploram a riqueza dos ritmos brasileiros e aliando criatividade e talento. Os músicos, que eram de um grupo de percussão erudita formado por alunos e professores da Escola de Música de Brasília (EMB), tentaram, a partir de 1999, fazer algo fora do repertório. Juntaram maracatu com funk, além do som  de carrinhos de supermercado e panelas. E deu certo.

Influenciados por Chico Science, Hermeto Parcoal e por grupos norte-americanos, como “Blue Man” e “Stomp“, passaram a criar performances, e em 2004 incluíram o DJ, dando ao Patubatê uma batida eletrônica. Depois da criação das oficinas para crianças de baixa renda, os percussionistas se envolveram na causa ambiental e perceberam que isso dava samba. “A idéia de preservar o meio ambiente é muito legal, porque a gente reutiliza tudo”, afirma Fred. “Não jogamos nada fora”.

A versatilidade rendeu o reconhecimento do Ministério das Relações Exteriores. Pela segunda vez, o grupo fará a turnê “Conexão África”, que inclui oficinas e shows em Botswana, Quênia, República de Camarões e Gabão, e acontece entre os dias 23 de março e 2 de abril. A Embaixada do Brasil na África organiza o evento, que promove a cultura do país no exterior.

Entrando no ritmo

O Patubatê realiza oficinas de percussão em Brasília, com encontros semanais no Colégio INEI, na quadra 606 Norte. Durante as aulas, os participantes aprendem a montar e tocar o próprio instrumento. Além das sucatas e frigideiras usadas por Fred, os alunos também têm contato com vários instrumentos de percussão, como o tamborim e o surdo. As oficinas acontecem todas as quintas-feiras, das 19h às 22h, nesse primeiro semestre de 2011, e a idade mínima para a inscrição é de 12 anos.

O contador Evaldo Risoni Teixeira, 55, faz as aulas como terapia. Ele lembra que descobriu a oficina através da internet, e por gostar de música, decidiu aprender a tocar. “Eu estava precisando fazer alguma coisa para sair fora da rotina, pois meu trabalho é muito árduo. Então procurei uma atividade bem contrária a isso”, explica Evaldo.

Já a estudante Ana Clara Correia, 14, conheceu o grupo nos intervalos culturais do colégio em que estuda, onde o Patubatê se apresentou. Ela afirma que o conhecimento musical adquirido nas oficinas será usado num projeto do INEI, que promove visitas às crianças de escolas públicas. “Eu quero aprender para fazer trabalho voluntário ou algo do tipo e passar esse conhecimento”, afirma a aluna.

Em 2011 os músicos participaram da gravação do DVD do grupo brasiliense de Rap, Atitude Feminina, e contam com três projetos aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC) para a produção do próprio DVD, que será gravado em Brasília. Como dependem de captação de recursos, ainda não há data para o início da produção. Além disso, desejam realizar uma semana cultural e uma exposição multimídia sobre os 10 anos do grupo. “Nossos projetos foram aprovados, mas falta a captação de recursos, que é o mais difícil”, relata Fred.

30/03/2011 Posted by | Multiplicidade | , , , , , | Deixe um comentário

Jovens buscam oportunidade e independência financeira

17,3% dos trabalhadores do DF são adolescentes; especialista diz que atividade pode melhorar responsabilidade

Por Érica Teles

Os adolescentes representam 17,3% dos trabalhadores empregados na capital brasileira, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos, Sociais e Estatísticos (Dieese), divulgada em janeiro desse ano pela Secretaria de Estado de Trabalho do Distrito Federal (Setrab-DF).

A Lei 10.097/2000, ou Lei da Aprendizagem, que garante ao jovem de 14 a 24 anos a possibilidade de ser contratado em condição de aprendiz por uma empresa, contribui para a inclusão do adolescente que procura crescimento pessoal e autonomia financeira. Os números mostram que, cada vez mais, o jovem procura sua independência financeira.

Érica Teles

Ter a carteira assinada como aprendiz é uma conquista para o jovem

De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), o projeto Aprendiz Legal inseriu 2,3 mil jovens no mercado de trabalho em 2010 no DF. A proposta está centrada no desenvolvimento de um cidadão social e bem-sucedido economicamente, estimulado a conquistar auto-estima e responsabilidade.

Segundo a psicóloga Paula Madsen, especialista em comportamento de crianças e adolescentes, o jovem muda quando entra no mercado de trabalho. “Nessa fase há a busca pela vida adulta”, diz a especialista. “Se ele tiver interesse pela atividade de trabalho, e estiver envolvido, há uma melhora na responsabilidade e no comprometimento”.

Wanderson Batista Bispo, 16 anos, estudante, teve o incentivo da mãe, Sônia Batista Amorim, 59, em conseguir o primeiro emprego em 2011. Ele foi contratado no início desse ano por uma rede de hipermercados em Brasília por meio do programa Menor Aprendiz. O jovem afirma que se sente mais livre com o direito de trabalhar e poder comprar o que deseja com o próprio salário. “Eu me sinto como se estivesse na vida adulta”, relata Wanderson.

Segundo ele, além das mudanças no próprio comportamento, os pais também passaram a agir diferente em casa. “Minha mãe ficou mais feliz e entusiasmada. Meu pai também está muito feliz porque ele, na minha idade, não tinha carteira assinada”, diz o estudante. “Eles sentem orgulho de mim”.

Luigi Antônio Santos Viana, 16, aluno de ensino médio, não tem a aprovação do pai e discorda da decisão. “Ter independência financeira é bom. Você pode sair e comprar o que quiser sem ter que pedir dinheiro sempre para o pai”, afirma Luigi. “A pessoa cria maturidade”. O pai de Luigi acredita que o emprego só deve vir após a formação acadêmica.

O funcionário público Antônio de Pádua Viana Teles, 50 é pai de Luigi e explica sua posição sobre o assunto “Eu tenho um exemplo que não teve o resultado esperado e o efeito foi contrário. Ele perdeu o estímulo pelo estudo”, diz Antônio, em relação a outro filho. O pai alega que quando não há necessidade, o jovem não deve trabalhar, pois o emprego pode atrapalhar os estudos.

22/03/2011 Posted by | Na Imprensa | , , | 2 Comentários