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Métodos alternativos e sustentáveis para jardinagem são focos de oficina

A paisagista Rachel Giacomoni palestrou sobre jardins sustentáveis

Os Jardins Sustentáveis: oficinas de compostagem e defensivos alternativos, foi o tema do workshop realizado na manhã do primeiro dia da XI Conferência das Cidades, que ocorreu nos dias 7 e 8 de dezembro, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. A paisagista Rachel Giacomoni Osório ministrou o assunto, que faz parte das discussões sobre novos contextos socioambientais das cidades para o futuro.

O evento abordou a importância das áreas verdes dentro de espaços urbanos, e mostrou os benefícios que elas fazem à sociedade e ao meio ambiente. Os jardins são um dos focos do trabalho da tecnóloga em paisagismo, que realiza o projeto EcoCâmara desde 2004.

A iniciativa consiste numa série de medidas e providências ecologicamente corretas e baseadas em atitudes como a reutilização de materiais e o uso consciente do solo e da água. Segundo Rachel, o cuidado com o jardim adquiriu outro significado, deixando de ser simplesmente um elemento decorativo e passa a ser um modificador social. “Um dos aspectos dele é o financeiro. Tanto que os apartamentos mais caros de Nova York estão em frente ao Central Park”, explica a paisagista.

Outro aspecto adquirido pelo impacto do jardim em áreas urbanas é o do conforto, da qualidade de vida e como espaço de lazer. A tecnóloga afirma que pesquisas internacionais comprovam os benefícios das áreas verdes em meio às cidades, e que são ligados diretamente com o bem estar das pessoas. “Quem trabalha em ambientes agradáveis, com vista para jardins, tem desempenho na performance de melhor eficiência”, aborda.

O projeto “Jardins Sustentáveis”, na Câmara, conta com o trabalho de 35 jardineiros, uma arquiteta e com a gestão de Rachel. A prática sustentável na manutenção dessas áreas, que contam com 210 mil m², é baseada em aspectos sociais, financeiros e ambientais.

Os jardineiros contam com programas de educação e segurança do trabalho, entre eles o incentivo ao combate à dengue. Eles também se adaptaram aos novos métodos de jardinagem, como a reutilização de sacos de café para o armazenamento de mudas e de cabos telefônicos para a amarração de plantas. “A vantagem é que agora a gente reutiliza tudo. Com as novas técnicas, dá mais prazer e é melhor para trabalhar”, afirma Gerivan Fernandes, 35, que trabalha há 13 anos como jardineiro na Câmara.

Com o reaproveitamento dos materiais descartados em outras atividades do órgão, a economia de dinheiro se torna um incentivo. Segundo Rachel, orçamentos anteriores mostram a redução dos gastos. “Eu não tenho como contabilizar o que eu gasto, mas tenho como saber o que eu não gasto. A gente soma efeitos. É o bem estar do jardineiro, da gente, do ambiente. Isso também economiza dinheiro. Isso é sustentabilidade”, diz a gestora.

Com o cultivo de plantas e flores nativas, a manutenção da biodiversidade é garantida em suas várias expressões, levando ao equilíbrio dos ambientes. O resultado disso é a presença de diversas espécies de aves que habitam a região. Pássaros de 170 espécies diferentes foram fotografados por Pedro Carneiro, servidor da casa e biólogo, que desde 2004 registra esses animais em áreas verdes da Câmara. Esse número representa aproximadamente 38% do total de aves já identificadas no DF.

A EcoCâmara é parceira da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e tem acordo com um rede de sementes do cerrado. Conta também com a consultoria do IBRAM (Instituto Brasília Ambiental). O projeto compartilha informações com outros órgãos e oferece oficinas, cursos de horta e atendimento a estudantes. “A gente está aqui para compartilhar”, conclui a palestrante.

Mais informações: Site oficial da XI Conferência das Cidades

Érica Teles

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20/12/2010 Posted by | Na Imprensa | , , , | Deixe um comentário