Horizonte de Palavras

Porque escrever é olhar além…

Trabalho voluntário no exterior: solidariedade e vivência na bagagem

Jovens e adultos buscam experiência em outro país para enriquecer a vida pessoal e o currículo

A possibilidade de aliar solidariedade, novas experiências, viagem internacional e o aprimoramento profissional tornou o trabalho voluntário no exterior uma atividade muito procurada por jovens e adultos. Para quem busca esse tipo de vivência, um dos fatores interessantes é ajudar no desenvolvimento de projetos socioculturais, contribuindo com quem mais precisa. A recompensa? Uma bagagem carregada de novas visões, perspectivas e aprendizado.

Foi exatamente para ajudar pessoas de culturas diferentes que Marília Watts, 26, decidiu fazer um intercâmbio voluntário. Fatores como dominar um idioma, querer viajar e praticar a solidariedade motivaram a decisão. “Sempre gostei de ajudar as pessoas, de diversas maneiras, da gentileza à filantropia, e fazer isso atrelado a uma viagem pareceu bastante interessante”, afirma Marília. Por gostar de destinos exóticos, optou pelo Marrocos, que tinha um programa de voluntariado para ensinar inglês em ONGs. No meio deste ano, Marília foi designada à ONG Amam Salé. Por duas semanas, ensinou inglês a adolescentes de níveis básico e intermediário.

A estudante de jornalismo Mariana Fagundes também buscou no trabalho voluntário uma oportunidade para fazer algo que não se resumisse apenas a estudar ou trabalhar fora do país. “Meu ideal de intercâmbio era que a experiência mudasse não só a minha vida, mas também a de outras pessoas”, explica Mariana. Foi por meio da Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Sociais (Aisec) que ela escolheu se aventurar no trabalho voluntário em outro país. A Aisec oferece suporte para a realização de ações sociais e é considerada a maior organização de estudantes do mundo.

Ao conhecer a proposta do grupo, Mariana se encantou pela possiblidade de aprendizado pessoal e embarcou na experiência. Ela foi para Novosibirsk, na Sibéria, a terceira maior cidade da Rússia, e ficou lá por um mês. Durante o programa do intercâmbio de voluntariado, a estudante fazia a cobertura de eventos com fins sociais. Tudo era publicado no jornal cultural da região. “A experiência foi extremamente enriquecedora, muito mais do que só pelo trabalho. Fiz grandes amigos e descobri aspectos de mim mesma que eu nem imaginava que existiam”, afirma a jovem.

Não existem dados oficiais sobre a quantidade de brasileiros que viajam a outros países para ser voluntários. Mas de acordo com a Agência Experimento, especializada na área, neste ano houve um aumento de 80% em relação a 2011. Geralmente, quem busca a experiência são recém-formados que já fizeram algum tipo de intercâmbio ou quem deseja aprimorar o idioma.

O mercado, cada vez mais exigente, busca profissionais ímpares e o trabalho voluntário é uma oportunidade para se destacar. “O grande diferencial é que o mercado atual quer e ‘exige’ que o profissional não seja o padrão. E o programa mostra o interesse em servir e cuidar do próximo”, afirma a consultora de RH da Agência Experimento, Kassiana Pozzati. Além disso, segundo Kassiana, um profissional que passa por essa experiência é mais bem visto pelas empresas. “Há uma enorme valorização. Não basta ter feito intercâmbio, tem que buscar algo mais e o programa de trabalho voluntário, por si só, é o algo mais”, completa.

O programa de voluntariado da Experimento é oferecido em vários países: África do Sul, Albânia, Gana, Guatemala, Índia, Irlanda, Marrocos, Nepal, Nigéria, Turquia e Estados Unidos. Para participar, é necessário ter um nível avançado de algum idioma e ter mais de 18 anos. Em geral, as agências encaminham o voluntário de acordo com a necessidade de cada comunidade. Por isso, qualidades como pró-atividade e boa vontade são requisitos essenciais para quem encara a experiência. Os programas duram, no mínimo, duas semanas e os participantes ficam hospedados em casas de família ou alojamentos. Segundo a agência, os preços variam, mas existem programas a partir de U$$ 1 mil.

Confira o relato de Marília

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08/02/2013 Posted by | Multiplicidade | Deixe um comentário

Fãs se unem para praticar ações voluntárias

Paixão pelo mesmo ídolo é ponto inicial para engajar jovens em trabalhos sociais

É comum encontrar fãs que se reúnem para compartilhar sua idolatria. Os fã clubes, agora mais organizados devido, principalmente, a comunicação ampliada pela internet, puderam ir além e atuar em diferentes ações. Pessoas que gostam da mesma coisa, reunidas pelo mesmo objetivo: ajudar ao próximo. Jovens apoiam seus ídolos e suas causas sociais e encontram, nesta atitude, uma forma de contribuir voluntariamente por um mundo com menos desigualdade.

Movimentos sociais feitos por fãs ganham cada vez mais proporção na internet. É o caso dosnerdfighters, termo usado para identificar as pessoas que integram a comunidadenerdfighteria. Eles se classificam como “nerds que batalham para aumentar os níveis de ‘awesome’ [ ]e diminuir os níveis de ‘suck’ [chatice] do mundo”. Esse grupocresceu em torno dos vídeos postados num canal do Youtube a partir de 2007 por dois irmãos. A intenção deles era apenas se comunicar, mas isso tomou dimensões maiores. Um dos contribuidores é John Green, vlogger e autor de livros para jovens adultos.

Junto com a crescente fama na internet, o canal no Youtube ganhou outra dimensão, e os irmãos Green começaram, no ano passado, o Project for Awesome (P4A)Basicamente é um movimento no qual as pessoas postam vídeos divulgando a instituição de caridade preferida, com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar a manter essas organizações.

O projeto ganha mais força nos dias 17 e 18 de dezembro e recebe até colaboração do Youtube. Embora constantemente os vídeos sejam postados na rede, durante esses dois dias os militantes fazem uma força-tarefa para aumentar a audiência. Em 2011, no primeiro dia de votação, foram arrecadados 70.000 dólares. Para cada dólar arrecadado, o site doava outro dólar. O critério para distribuição das doações segue a regra da audiência. As cinco instituições de caridade que receberem mais votos serão as beneficiadas.

Faz parte das ações do P4A , também, curtir, compartilhar e comentar esses vídeos. Osyoutubers pedem votos para a sua instituição a fim de conseguir as doações. Com isso, os fãs da solidariedade ajudam a dar visibilidade a quem trabalha voluntariamente. Essas atitudes tornam os integrantes da nerdfigteria voluntários também.

Às vezes, fazer vídeos não é o suficiente e a vontade de ajudar ultrapassa barreiras. Foi o que aconteceu com Priscilla Kurtz, 30 anos. Ela mora em Curitiba e apadrinhou uma criança do Fundo Cristão de Minas Gerais há cerca de dois anos. Sua paixão pela causa e pela pequena Marcela a levou a fazer um vídeo para o Project for Awesome. Segundo Priscila, o contato com a afilhada é feito por cartinhas, mas ela conta ter ido além. “O mais emocionante para mim – e ainda me emociona – foi receber a cartinha da Marcela, minha afilhada, agradecendo pela cesta de Natal que mandei pra família dela. Eu não os conheço pessoalmente, mas pensei que não me custava gastar um dinheiro pra ter certeza que eles teriam um Natal com uma comidinha gostosa”, explica.

Outra voluntária que participa do universo do Project for Awesome é Monnique Azeredo. Ela conheceu o movimento por meio dos vídeos que já estavam na rede. Ano passado ela ajudou a divulgar o projeto, mas afirma que em 2012 pretende fazer um vídeo sobre o trabalho do Lar Amigos de Jesus, no Ceará, um abrigo para crianças com câncer e transplantadas.

De acordo com ela, a vontade de ser voluntária vem de sua crença. Monnique é católica e desde criança participa de trabalhos voluntários em creches, abrigos e asilos. “Quando vi que podia mobilizar mais gente a participar e que poderia ajudar através de vídeos – coisa que eu amo, mas nunca tinha pensado-  fiquei encantada”, ressalta a jovem. E quanto ao retorno, ela é categórica: “Sei que parece clichê, mas a gente sempre recebe mais do que dá nesses momentos de voluntariado. A gente aprende muito a agradecer pelo que temos, quando vemos a situação das outras pessoas. Ser capaz de trazer um sorriso pra uma criança com dor, por exemplo, não tem preço”, enfatiza a voluntária.

“Saber que nossas habilidades editando vídeos e nosso tempo gasto no Youtube, Facebook e Twitter podem ser revertidos para ajudar pessoas ao redor do mundo é muito reconfortante, além de extremamente divertido”, completa Monnique.

Inspiradas por Dulce

O que acontece quando se reúne um grupo de meninas apaixonadas por uma personalidade da música que promove ações sociais? A resposta é trabalho voluntário.“Dulcetes” é o nome dado às fãs da cantora mexicana e ex-integrante do grupo RBD, Dulce Maria e que além de cantar e idolatrar a jovem, também realizam voluntariado por todo o Brasil e o mundo. Por aqui, elas atuam desde 2008, inspiradas nas ações do Instituto Dulce Amanecer, fundado e mantido pela cantora.

Contribuir com o bem estar de quem vive em asilos, abrigos ou orfanatos é a missão das Dulcetes.

Segundo a presidência do Fã Clube Dulcetes Brasil, em 2011 a Fundação Dulce Amanecer convocou fãs de todo o mundo para comemorarem o aniversário da cantora em instituições filantrópicas ou eventos beneficentes. Isso gerou uma onda de voluntariado por parte dessas jovens

“Nós levamos doações que arrecadamos de membros (roupas, alimentos, brinquedos, ração) e realizamos uma festa com alguns membros no local (asilos, creches, orfanatos) para levar um pouco da música de Dulce Maria a eles, e deixá-los um pouco mais felizes”, afirma o fã clube.  Além disso, elas levam algo inestimável, amor. “Nós levamos mais que doações. Sempre procuramos passar um tempo com as pessoas para conversar ou brincar. Acreditamos que às vezes um pouco de atenção pode ser nosso maior presente”, completa o grupo.

Elas destacam que importante é seguir e dar bons exemplos. “Somos jovens e se temos tanta força para apoiar nossos ídolos, porque não usar dessa energia para ajudar a quem precisa também? Queremos permitir aos nossos membros e representantes que vivenciassem a experiência única que é a de praticar o bem e oferecer amor. Dulce certamente é o nosso grande exemplo e a nossa maior motivação”, finalizam as Dulcetes.

Abaixo, uma montagem com trechos dos vídeos do Project For Awesome:

No último semestre da faculdade, durante a disciplina de Agência de Notícias, eu e mais duas colegas, as queridas Fernanda Faleiro e Hellen Leite, escrevemos matérias sobre trabalho voluntário. Os textos eram postados no meu outro blog, o Reação do Bem, que virou o nosso espaço de divulgação desses trabalhos. Resolvi colocá-los aqui também, porque é sempre bom divulgar boas ações como estas, de pessoas que dedicam a vida a fazer o bem ao próximo. 

 

 

 

08/02/2013 Posted by | Multiplicidade | Deixe um comentário

Redes Sociais são os novos elos entre políticos e cidadãos

Diferente dos horários eleitorais, perfis na internet permitem a troca de informações

Érica Teles

Antigamente as praças das cidades eram palco de comícios e reuniões dos políticos em busca de votos e eleitores. Hoje, o palco de discussões são as redes sociais, que viraram febre, até entre os mais conservadores, e ganharam muitos adeptos por todo o mundo. Ao invés de entregarem os santinhos, eles te seguem no Twitter. Estima-se que cerca de 60% dos políticos brasileiros tenham perfis em redes sociais atualmente. Para o presidente do Grupo Orium Comunicação e Marketing, Alexandre Monteiro Chequim, estar inserido em comunidades virtuais é essencial. O cientista político Jean Klecio Gonçalves, defende que os políticos precisam usar de forma inteligente as mídias sociais.

O microblog virou ferramenta para aproximar eleitor e parlamentar

Entre os mais de 200 milhões de usuários que aderiram ao microblog, por exemplo, estão os parlamentares. Desde a eleição que escolheu Barack Obama como presidente dos Estados Unidos em 2008, a internet virou ferramenta de aproximação entre a política e o cidadão. Antes das eleições brasileiras em 2010, aproximadamente 226 parlamentares já utilizavam o Twitter, segundo um levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo. Após as votações, esse número cresceu. Perfis como o @twittespol fornecem informações sobre os números desse público na rede.

deputado distrital Professor Israel Batista(PDT/DF) utiliza perfis em comunidade virtuais para estreitar a relação com o cidadão. “Acredito que as redes sociais democratizaram o debate e proporcionaram ao eleitor uma participação mais ativa na discussão política. O cidadão pode acompanhar o candidato não somente antes das eleições, mas também durante o mandato”, afirma o deputado.  Seguir o agente político no Twitter virou uma arma do eleitor. “Recebo muitas sugestões e tento filtrar os comentários pertinentes daqueles que me cobram, justamente, para eu fazer valer o voto de confiança que me deram para representá-los”.

Estratégias
Para Alexandre Chequim, a atuação nas redes sociais pelos políticos contribui para uma interação entre os dois públicos, onde é possível falar e ouvir. “Trata-se com certeza de uma estratégia de marketing para estar mais próximo da população, e interagir com seus eleitores e potenciais eleitores”, explica Alexandre.

Assim como pode ocorrer no “mundo real”, onde alguns candidatos, eleitos ou não, somem depois das votações, nas redes sociais isso também ocorre. Alguns políticos fizeram perfis no microblog de 140 caracteres apenas para a época das eleições. Após o pleito, muitos abandonaram. O perfil da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, não é atualizado desde o final do ano passado. Nem por assessores, como ocorre em alguns casos. “Atuar de forma planejada nas redes sociais já precisa ser visto como prioridade pelos políticos”, explica o comunicador.

De acordo com Chequim, esse “abandono” pode ocorrer por desconhecimento das mídias sociais ou por falta de uma orientação profissional. Ele explica que esse meio deve ser utilizado como um canal de comunicação, não apenas para o pleito. “Acredito que só gere real benefício quando for acompanhada de planejamento, interação e relevância. Ou seja, o político precisa ter um plano de longo prazo para atuar nas redes sociais”, afima Alexandre.

Conexão direta

Segundo o cientista político, essa aproximação é positiva. “As pessoas (eleitores) também querem ver, como o político é em seu dia-a-dia como cidadão, na sua vida pessoal. Esperam que o ocupante do cargo público interaja e participe da “conversa” via Twitter, e não se limite a apenas ser um robô que distribui informações do mandato”, relata o especialista.

A opinião do cientista é compartilhada pelo estudante de administração Joel Gomes, 22, que segue os políticos em quem votou nas últimas eleições, mas apenas para interagir com eles. Ele não acredita que a rede seja uma forma de fiscalizar o trabalho dos eleitos. “No Twitter, eles falam o que acham necessário e menos polêmico, por isso eu acho que não é um meio de fiscalizar o seu trabalho.

Segundo Gonçalves, o que esses parlamentares escrevem no microblog não é determinante em suas atuações públicas. ” A memória do eleitor brasileiro é muito curta”, esclarece. “A maioria dos políticos não utiliza da forma correta, alguns apenas retuitam notícias e interagem com um pequeno grupo de contatos, que pode ser um erro grave”.

Joel defende outras maneiras de acompanhar e cobrar do político eleito. ” A melhor forma é entrando no site da Câmara e do Senado pra ver os projetos, como foram votados, mandando e-mail e indo até o gabinete cobrar as promessas de campanha, relata o estudante. O  Twitter serviria como uma ponte a todos osoutros meios que têm mais de 140 caracteres”, finaliza o estudante.

 

20/06/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , | Deixe um comentário

Seleção para projeto ambiental começa em julho

 Fora da sala de aula, estudantes têm a oportunidade de conhecer a realidade do Cerrado por meio do trabalho de ong com escolas públicas

Alunos a bordo do Catamarã na Operação Cerrado, Módulo Lago

A segunda edição do Operação Cerrado se prepara para receber estudantes a partir do segundo semestre de 2011. A iniciativa promove a concientização ambiental por meio de saídas de campo com jovens de 9 a 14 anos, alunos de escolas públicas do Distrito Federal. O programa foi lançado em agosto de 2010 e é vinculado ao Instituto Aquanautas, organização da sociedade civil de interesse público. Ela atua em parceria com a Secretaria de Educação e se dedica ao desenvolvimento de pesquisas para a preservação do meio ambiente. Além disso, o Aquanautas leva até as escolas o Cinema Ambiental e disponibiliza na internet diversos conteúdos educativos.

O projeto é divido em quatro tipos. O módulo Lago leva os alunos por dois dias ao Paranoá. Lá, eles aprendem a identificar peixes e entendem a relação das águas com a região. A bordo do Catamarã, os estudantes recolhem microorganismos para análise biológica. No módulo Caverna, uma mistura de disciplinas possibilita, por meio de pinturas rupestres, compreender como se deu a ocupação da região do Cerrado, além de aulas práticas de manejo de solo e identificação de espécies animais.

Existe, ainda, o módulo Cidade, que mostra aos jovens o impacto ecológico proveniente do mau uso dos recursos naturais dentro dos centros urbanos, além das consequências do descarte incorreto de matérias poluentes. Já o Cine Aquanautas leva às escolas públicas do DF um cinema que mostra por meio de vídeos, as experiências de parceiros da iniciativa com diversos animais em rios da região e de Tocantins.

De acordo com o biólogo e coordenador da Operação Cerrado, Leandro de Castro Siqueira, 38, que também é consultor técnico da iniciativa, o projeto não tem apenas como objetivo exclusivo a ecologia, mas tratar da história da ocupação humana na região, além de abordar temas relacionados à astronomia, geologia e organização do Brasil. “Procuramos ser complementares à formação recebida pelos estudantes no ensino formal, contribuindo para que eles pudessem ter contato com o conteúdo recomendado, porém de forma diferente, mais prática e com um gostinho de aventura”, explica Leandro. “Além disso, tentamos trabalhar os conceitos de cidadania, discutindo com eles seus direitos e seus deveres para que possam ter um meio ambiente adequado”.

Desde sua criação, o projeto já contribuiu para a formação de aproximadamente 30 mil alunos de 50 escolas públicas do DF. Segundo o presidente do Aquanautas, Luiz Rios, o objetivo agora é superar o resultado alcançado no ano passado e atender instituições de ensino que ainda não participaram.

Conscientização

A professora e coordenadora da Escola Integral, do Centro de Ensino Fundamental 03 do Gama, Sandra Rodrigues César, 36, participou, junto com os alunos, do módulo Cidade em novembro do ano passado. A oportunidade trouxe mudanças na atitude das crianças. “Nossa escola foi invadida pela consciência ecológica”, relata Sandra. “Foi fantástico! Como professora de ciências, sempre me encanta quando vejo os olhinhos dos meus alunos brilhando diante de novas descobertas”.

A experiência deixou a aluna Isadora Silva Lima, 11, da 6ª série, mais consciente da preservação. “Depois da Operação Cerrado, eu tive uma noção melhor da importância desse bem precioso que é a natureza”, explica. E não foi só Isadora que aprendeu com a saída de campo. A aluna da 7ª série Karen Mayumi Matsumoto, 12, acredita que cuidar do planeta é garantir qualidade de vida. “Conservando o ambiente, poderemos ter uma vida melhor a cada dia. Pude observar de perto a importância da reciclagem, porque devemos economizar água, entre outras”, conclui a estudante.

Para 2011, Luiz afirma que existem novos projetos para o DF e outros estados, incluindo a Costa Brasileira. No momento, o Aquanautas se prepara para iniciar a Operação Cerrado, a partir do segundo semestre desse ano.“Estamos em fase de aprovação e liberação de recursos, incluindo o Operação Cerrado 2011”, relata o presidente da instituição.

Sobre os critérios de seleção das escolas que partipam do projeto, Leandro explica que fica sob responsabilidade de cada regional de ensino. “Partimos do princípio de que cada diretoria conhece melhor as escolas de sua região e pode selecionar de forma mais adequada as que têm maior compromisso com a proposta do nosso projeto”, afirma.

O biólogo defende que o intuito da Operação Cerrado vai além da educação ambiental. “Esperamos que os jovens selecionados para participar da Operação Cerrado não só sejam estimulados a pensar sobre seus valores e ações, mas que também possam se tornar líderes e multiplicadores dessa forma de perceber o meio ambiente e de agir nas suas escolas e na região onde moram”, conclui.

Quer saber mais? Acesse: http://www.operacaocerrado.org.br

26/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Tolerância e respeito jogam no mesmo time

Contra a violência, torcedores superam rivalidade

Érica Teles

Futebol é paixão brasileira, mas a manifestação pacífica está cada vez mais rara. Os casos de violência envolvendo torcedores estão cada vez mais comuns, no entanto, por amor ao esporte, algumas pessoas conseguem superar a rivalidade entre seus times. Em tempos de final de campeonato, o carinho pelo clube aumenta e em alguns casos, não dá espaço ao desrespeito nem à violência. Eles torcem pelo mesmo time, o da tolerância.

Rivalidade é deixada de lado por amor ao futebol

 Vasco e Flamengo, Corinthians e Palmeiras, Gama e Brasiliense. Grandes rivais dentro de campo podem ter uma convivência pacífica fora. A rivalidade deve ser algo saudável, como defende um torcedor do Palmeiras, o auxiliar administrativo Antonio Henrique Rodrigues Braga, 22 anos. “Eu acho que é uma questão de gosto, assim como brigar por música ou por partido político. A briga não irá fazer com que você mude de time”, afirma.

A opinião de Henrique não é isolada. Os que acreditam no verdadeiro espírito do futebol, que é unir as pessoas em torno de um mesmo objetivo, defendem a paz e o respeito ao próximo, independente da camisa que vestem. As diferenças são relevadas e a briga se restringe ao gramado.

Vascaíno desde criança, o promotor comercial Alex Sandro dos Santos, 27, defende que as pessoas têm que se respeitar, aceitando a escolha de time de cada um. “Tento levar na brincadeira, não tem outro jeito. Rivalidade é rivalidade”, relata Alex. “A melhor forma é levar na esportiva”.

A psicóloga do Programa da Mulher Atleta, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Mariana Mendes de Moura Oliveira, explica que superação da rivalidade depende da situação. Amigos, por exemplo, podem se respeitar melhor como torcedores rivais. “Se for uma amizade antiga entre garotos, é provável que o assunto futebol não seja pauta de qualquer conversa”, afirma. 

A especialista confirma que se o objetivo for o mesmo, o amor ao esporte é capaz de deixar de lado a rivalidade. “Alguns blogs são escritos por torcedores de times rivais, mas antes disso são amigos que preferem divulgar informações sobre o esporte do que apenas “brigar” por seu time”, conclui.

Torcida da paz

O estudante torcedor do São Paulo, Victor Matheus Correia, 20, acha que atitudes pacíficas dentro do futebol estão ficando cada vez mais raras. Para ele, é difícil dar o braço a torcer e dizer que o rival é melhor. “É questão de orgulho e de cultura também”, declara. Victor defende que para mudar a situação seria preciso uma transformação na atitude dos torcedores. “Precisaria haver uma mudança na forma como o brasileiro enxerga a rivalidade e o futebol”, explica.

O universitário Pedro Ventura Patrocínio, 22, torcedor do Gama, se diz amante do futebol e explica que supera a rivalidade fora do gramado. “Já xinguei o jogador dentro de campo, e na mesma noite confraternizamos na casa de um amigo. Esse mesmo jogador é namorado de uma amiga minha, na qual sua família é gamense roxa”, relata. Pedro defende que é preciso conscientizar os torcedores. “Estimulo as pessoas que freqüentam os estádios que a única a sofrer com a violência deve ser a bola, com os chutes dos jogadores”, brinca.

“Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos”

O diretor da torcida do Flamengo na capital, Raça Rubro Negra de Brasília, Danielton Lima, afirma que é cobrada dos torcedores uma atitude positiva e contra a violência. “Cobramos sim postura dos nossos integrantes, e sempre procuramos conscientizá-los que o futebol é festa, e que a existência de uma torcida organizada é apenas uma: apoiar o clube onde é que ele esteja”, declara. “Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de sentimentos[…] mas não existe incentivo pela intolerância, e sim trabalhos sérios desenvolvidos por diretorias de várias torcidas organizadas”, esclarece.

23/05/2011 Posted by | Na Imprensa | , , , , , | Deixe um comentário

Vendedora de discos de vinil resiste à era digital

Raridades da música mantêm o negócio de “dona” Abadia. Comércio de LP’s permanece intocável há 15 anos

Por Érica Teles

Cliente saudosista não abre mão do vinil

Provavelmente quem passa pela via W3 Sul, no coração de Brasília, já deve ter visto a senhora que vende discos de vinil na calçada do comércio local. Maria Abadia, que prefere não dizer a idade, revela que está no “ramo do vinil” há 15 anos e desperta curiosidade por vender LP’s em plena era da tecnologia do download. Em meio a exemplares raros, como “Please, please me”, de 1963, primeiro álbum do The Beatles, e uma parceria entre Ney Matogrosso e Secos e Molhados, de 1973, a evangélica revela que não ouve seus produtos, prefere ler a Bíblia. Maria Abadia acredita que seu negócio não vai acabar por ser um “dom de Deus”, e que sempre existirá um apaixonado por música e por antiguidades. Ela jura que nunca ficou um dia sequer sem vender um disco.

– Como a sra. veio parar neste ramo? Por que vender discos de vinil?

Maria Abadia– Por falta de emprego. Na verdade não foi falta de emprego, porque eu nunca trabalhei para os outros. Foi uma opção própria, uma oportunidade que apareceu. Então eu fiz um voto na igreja, uma promessa. Tentei. E, se desse certo, eu continuaria. Já fazem 15 anos e estou aqui até hoje.

– Na época a sra. imaginava que iria dar certo essa tentativa?

Maria Abadia-Sim. Porque eu não arrisquei. Tudo o que eu fiz ou faço hoje eu coloco a certeza de que vai dar certo. E dá. Tudo eu faço com certeza. Foi dom do Espírito Santo de Deus. É complicado explicar, porque nem todo mundo entende a minha escolha.

– A sra. costuma ouvir os discos que vende?

Maria Abadia – Por incrível que pareça, eu não ouço. Às vezes ouço música clássica, mas raramente, e não tenho preferência. Eu gosto de ouvir música de louvor, da igreja. Meus cantores preferidos são Jota Neto e Márcio Nascimento.

– Que tipo de pessoa compra seus discos de vinil?

Maria Abadia – Todo tipo de pessoa compra. De todas as idades e de todos os níveis. Já as pessoas de classe alta, costumam comprar mais. Gente que tem dinheiro mesmo. Eles compram mais raridades. Os discos mais antigos, da década de 50 ou 60.

– Há uma clientela fixa?

Maria Abadia – Sim. São os colecionadores. Tenho muito disco difícil de ser encontrado. Geralmente, eles fazem encomenda. Já vendi para muitos estrangeiros. Eles compram LP’s de música brasileira mais que os próprios brasileiros.

– Estamos na era da tecnologia, quando a maioria das pessoas baixa as músicas ao invés de comprar o cd. A sra. acha que é importante manter essa tradição de ouvir discos de vinil?

Maria Abadia – Os meus clientes que são colecionadores preferem o vinil. Quem compra gosta, né. Eles comentam que o som é melhor, que tem mais qualidade. É o que eles me dizem. O meu negócio nunca vai acabar. Até proposta para vender nos Estados Unidos eu já recebi, para vender disco importado, e eu não fui. O único lugar que parou de vender vinil foi no Brasil, porque nos outros países nunca parou. Aqui que teve essa baixa e agora está ficando em alta de novo. Está na moda.

Vinil ainda faz sucesso entre colecionadores

LP's raros

27/04/2011 Posted by | Multiplicidade, Na Imprensa | , , , , | Deixe um comentário

Redes arrecadam R$ 290 mil com troco

Moedas deixadas por clientes ajudam no orçamento da Abrace e Fundação CDL. Apesar de sofrer resistência, projeto já muda rotina de instituições

Por Érica Teles

Solidariedade vale muito e custa pouco

Os centavos que sobram da conta do supermercado podem valer mais do que se imagina. Ao invés de acabarem no fundo da gaveta, podem ir para iniciativas como o “Troco Social”, que muda o destino das moedinhas que o cliente recebe no caixa. Apesar de existir desde 2009, o programa conta com poucos adeptos. A mãozinha da clientela solidária garantiu que fossem arrecadados mais de R$ 220 mil em 2010.

A ideia nasceu com uma rede de drogarias do Distrito Federal, que incentiva os clientes a doarem o que sobra das compras para instituições beneficentes. Dessa maneira, eles levam os produtos e deixam a solidariedade. As doações vão para a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadora de Câncer e Hemopatia (Abrace) e para a Fundação CDL, instituída pela Câmara de Dirigentes Lojistas do DF, que cuida de crianças e adolescentes em situação de risco social.

A rede imaginou que, se os clientes doassem apenas o troco, o arrecadado já seria significativo, e a partir daí surgiu a campanha “Troco Social”. O valor doado é registrado em cupom não-fiscal, pois se trata de uma transação isenta de impostos, e repassado mensalmente às entidades. O projeto arrecadou em 14 meses aproximadamente R$ 290 mil, e segundo a gerente de Marketing do Grupo Rosário Distrital, Natália Silveira, 70% do arrecadado foram destinados à Abrace e 30%  à Fundação CDL.

De acordo com a assessora de comunicação da Abrace, Vanessa Vieira, até fevereiro deste ano, a associação já recebeu R$ 202.543,74. Ela afirma que o dinheiro foi usado na reforma e manutenção da Casa de Apoio, que hospeda pacientes que vêm de outros estados para tratamento, e na compra de um veículo novo para o transporte das crianças.

“Essa e todas as outras doações recebidas são de fundamental importância para a instituição, uma vez que ela tem seu trabalho mantido por doações da comunidade e de empresas”, esclarece Vanessa.

A conscientização

A operadora de caixa Taynan Porto, 20, trabalha em uma rede de supermercados que promove a mesma ação social, com o nome de “Troco Solidário”. Segundo ela, os funcionários sempre incentivam os clientes a doarem, mas alguns não acreditam na seriedade da iniciativa. “Eles pensam que fica para o dono do supermercado”, diz a funcionária. “A cada dez clientes com quem falo, só dois deixam a troco”, estima.

Entre os que acreditam na credibilidade do Troco Solidário, está o analista de sistemas Thiago Silva Santos, 20. Ele afirma que uma funcionária do supermercado o informou do projeto, e que agora deixa a contribuição a cada compra que faz, geralmente duas vezes por semana. Thiago diz que gosta de fazer doações pessoalmente, mas ajuda assim mesmo. “Não gosto muito de doar dessa maneira, prefiro ir diretamente à instituição, mas achei essa ideia criativa. Prefiro acreditar, mesmo sendo difícil”, explica o analista.

* Para mais informações a campanha da Drogaria Rosário,  acesse o site http://www.drogariarosario.com.br/menu/a-rosario/responsabilidade-social/

 

06/04/2011 Posted by | Na Imprensa | Deixe um comentário

As várias formas de amar…

Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando eu mais preciso

Falamos à beça de amor. Apesar das nossas singularidades, temos pelo menos esse desejo em comum: queremos amar e ser amados. Amados, de preferência, com o requinte da incondicionalidade. Na celebração das nossas conquistas e na constatação dos nossos fracassos. No apogeu do nosso vigor e no tempo do nosso abatimento. No momento da nossa alegria e no alvorecer da nossa dor. Na prática das nossas virtudes e no embaraço das nossas falhas. Mas não é preciso viver muito para percebermos nos nossos gestos e nos alheios que não é assim que costuma acontecer.

Temos facilidade para amar o outro nos seus tempos de harmonia. Quando realiza. Quando progride. Quando sua vida está organizada e seu coração está contente. Quando não há inabilidade alguma na nossa relação. Quando ele não nos desconcerta. Quando não denuncia a nossa própria limitação. A nossa própria confusão. A nossa própria dor. Fácil amar o outro aparentemente pronto. Aparentemente inteiro. Aparentemente estável. Que quando sofre não faz ruído algum.

Fácil amar aqueles que parecem ter criado, ao longo da vida, um tipo de máscara que lhes permite ter a mesma cara quando o time ganha e quando o cachorro morre. Fácil amar quem não demonstra experimentar aqueles sentimentos que parecem politicamente incorretos nos outros, embora costumem ser justificáveis em nós. Fácil amar quando somos ouvidos mais do que nos permitimos ouvir. Fácil amar aqueles que vivem noites terríveis, mas na manhã seguinte se apresentam sem olheiras, a maquiagem perfeita, a barba atualizada.

É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. Nos cafés, após o cinema, quando se pode filosofar sobre o enredo e as personagens com fluência, um bom cappuccino e pão de queijo quentinho. Nos corredores dos shoppings, quando se divide os novos sonhos de consumo, imediato ou futuro. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nos encontros erotizados, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.

Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. E fala o tempo todo do seu drama com a mesma mágoa. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando até a própria alma parece haver se retirado.

Difícil é amar quando já não encontramos motivos que justifiquem o nosso amor, acostumados que estamos a achar que o amor precisa estar sempre acompanhado de explicação. Difícil amar quando parece existir somente apesar de. Quando a dor do outro é tão intensa que a gente não sabe o que fazer para ajudar. Quando a sombra se revela e a noite se apresenta muito longa. Quando o frio é tão medonho que nem os prazeres mais legítimos oferecem algum calor. Quando ele parece ter desistido principalmente dele próprio.

Difícil é amar quando o outro nos inquieta. Quando os seus medos denunciam os nossos e põem em risco o propósito que muitas vezes alimentamos de não demonstrar fragilidade. Quando a exibição das suas dores expõe, de alguma forma, também as nossas, as conhecidas e as anônimas. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, para caminhar ao seu encontro.

Difícil é amar quando o outro repete o filme incontáveis vezes e a gente não aguenta mais a trilha sonora. Quando se enreda nos vícios da forma mais grosseira e caminha pela vida como uma estrela doída que ignora o próprio brilho. Quando se tranca na própria tristeza com o aparente conforto de quem passa um feriadão à beira-mar. Quando sua autoestima chega a um nível tão lastimável que, com sutileza ou não, afasta as pessoas que acreditam nele. Quando parece que nós também estamos incluídos nesse grupo.

Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja o tempo em que o outro mais precise se sentir amado. Para entender, basta abrirmos os olhos para dentro e lembrar das fases em que, por mais que quiséssemos, também não conseguíamos nos amar. A empatia pode ser uma grande aliada do amor.

Texto de Ana Jácomo

05/04/2011 Posted by | Crônicas | , , , | Deixe um comentário

Batida une talento com proteção ambiental

Música que rima com sustentabilidade é a marca do Patubatê

Por Érica Teles

Experimente juntar latas, panelas, escapamento de automóveis, baldes de plástico e uma bela dose de criatividade. O resultado é a matéria-prima do Patubatê, grupo de percussão que mistura som com consciência ecológica, e inova no conceito de musicalidade sustentável. Há dez anos, eles transformam sucata em instrumento musical, e transmitem a experiência por meio de oficinas e apresentações pelo Brasil, Europa, África e Estados Unidos.

Na busca por uma sonoridade diferente, Fernando Mazoni, Fred Magalhães e o DJ Leandronik exploram a riqueza dos ritmos brasileiros e aliando criatividade e talento. Os músicos, que eram de um grupo de percussão erudita formado por alunos e professores da Escola de Música de Brasília (EMB), tentaram, a partir de 1999, fazer algo fora do repertório. Juntaram maracatu com funk, além do som  de carrinhos de supermercado e panelas. E deu certo.

Influenciados por Chico Science, Hermeto Parcoal e por grupos norte-americanos, como “Blue Man” e “Stomp“, passaram a criar performances, e em 2004 incluíram o DJ, dando ao Patubatê uma batida eletrônica. Depois da criação das oficinas para crianças de baixa renda, os percussionistas se envolveram na causa ambiental e perceberam que isso dava samba. “A idéia de preservar o meio ambiente é muito legal, porque a gente reutiliza tudo”, afirma Fred. “Não jogamos nada fora”.

A versatilidade rendeu o reconhecimento do Ministério das Relações Exteriores. Pela segunda vez, o grupo fará a turnê “Conexão África”, que inclui oficinas e shows em Botswana, Quênia, República de Camarões e Gabão, e acontece entre os dias 23 de março e 2 de abril. A Embaixada do Brasil na África organiza o evento, que promove a cultura do país no exterior.

Entrando no ritmo

O Patubatê realiza oficinas de percussão em Brasília, com encontros semanais no Colégio INEI, na quadra 606 Norte. Durante as aulas, os participantes aprendem a montar e tocar o próprio instrumento. Além das sucatas e frigideiras usadas por Fred, os alunos também têm contato com vários instrumentos de percussão, como o tamborim e o surdo. As oficinas acontecem todas as quintas-feiras, das 19h às 22h, nesse primeiro semestre de 2011, e a idade mínima para a inscrição é de 12 anos.

O contador Evaldo Risoni Teixeira, 55, faz as aulas como terapia. Ele lembra que descobriu a oficina através da internet, e por gostar de música, decidiu aprender a tocar. “Eu estava precisando fazer alguma coisa para sair fora da rotina, pois meu trabalho é muito árduo. Então procurei uma atividade bem contrária a isso”, explica Evaldo.

Já a estudante Ana Clara Correia, 14, conheceu o grupo nos intervalos culturais do colégio em que estuda, onde o Patubatê se apresentou. Ela afirma que o conhecimento musical adquirido nas oficinas será usado num projeto do INEI, que promove visitas às crianças de escolas públicas. “Eu quero aprender para fazer trabalho voluntário ou algo do tipo e passar esse conhecimento”, afirma a aluna.

Em 2011 os músicos participaram da gravação do DVD do grupo brasiliense de Rap, Atitude Feminina, e contam com três projetos aprovados pelo Ministério da Cultura (MinC) para a produção do próprio DVD, que será gravado em Brasília. Como dependem de captação de recursos, ainda não há data para o início da produção. Além disso, desejam realizar uma semana cultural e uma exposição multimídia sobre os 10 anos do grupo. “Nossos projetos foram aprovados, mas falta a captação de recursos, que é o mais difícil”, relata Fred.

30/03/2011 Posted by | Multiplicidade | , , , , , | Deixe um comentário

Jovens buscam oportunidade e independência financeira

17,3% dos trabalhadores do DF são adolescentes; especialista diz que atividade pode melhorar responsabilidade

Por Érica Teles

Os adolescentes representam 17,3% dos trabalhadores empregados na capital brasileira, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos, Sociais e Estatísticos (Dieese), divulgada em janeiro desse ano pela Secretaria de Estado de Trabalho do Distrito Federal (Setrab-DF).

A Lei 10.097/2000, ou Lei da Aprendizagem, que garante ao jovem de 14 a 24 anos a possibilidade de ser contratado em condição de aprendiz por uma empresa, contribui para a inclusão do adolescente que procura crescimento pessoal e autonomia financeira. Os números mostram que, cada vez mais, o jovem procura sua independência financeira.

Érica Teles

Ter a carteira assinada como aprendiz é uma conquista para o jovem

De acordo com o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), o projeto Aprendiz Legal inseriu 2,3 mil jovens no mercado de trabalho em 2010 no DF. A proposta está centrada no desenvolvimento de um cidadão social e bem-sucedido economicamente, estimulado a conquistar auto-estima e responsabilidade.

Segundo a psicóloga Paula Madsen, especialista em comportamento de crianças e adolescentes, o jovem muda quando entra no mercado de trabalho. “Nessa fase há a busca pela vida adulta”, diz a especialista. “Se ele tiver interesse pela atividade de trabalho, e estiver envolvido, há uma melhora na responsabilidade e no comprometimento”.

Wanderson Batista Bispo, 16 anos, estudante, teve o incentivo da mãe, Sônia Batista Amorim, 59, em conseguir o primeiro emprego em 2011. Ele foi contratado no início desse ano por uma rede de hipermercados em Brasília por meio do programa Menor Aprendiz. O jovem afirma que se sente mais livre com o direito de trabalhar e poder comprar o que deseja com o próprio salário. “Eu me sinto como se estivesse na vida adulta”, relata Wanderson.

Segundo ele, além das mudanças no próprio comportamento, os pais também passaram a agir diferente em casa. “Minha mãe ficou mais feliz e entusiasmada. Meu pai também está muito feliz porque ele, na minha idade, não tinha carteira assinada”, diz o estudante. “Eles sentem orgulho de mim”.

Luigi Antônio Santos Viana, 16, aluno de ensino médio, não tem a aprovação do pai e discorda da decisão. “Ter independência financeira é bom. Você pode sair e comprar o que quiser sem ter que pedir dinheiro sempre para o pai”, afirma Luigi. “A pessoa cria maturidade”. O pai de Luigi acredita que o emprego só deve vir após a formação acadêmica.

O funcionário público Antônio de Pádua Viana Teles, 50 é pai de Luigi e explica sua posição sobre o assunto “Eu tenho um exemplo que não teve o resultado esperado e o efeito foi contrário. Ele perdeu o estímulo pelo estudo”, diz Antônio, em relação a outro filho. O pai alega que quando não há necessidade, o jovem não deve trabalhar, pois o emprego pode atrapalhar os estudos.

22/03/2011 Posted by | Na Imprensa | , , | 2 Comentários