Tarde de terror

Foto: Cristiano Borges
Era mais um dia que se passava e, como sempre, eu e muitas outras pessoas perdíamos nosso tempo e dinheiro em grandes centros comerciais, símbolos do Capitalismo, que mexem com o nosso subconsciente e nos atraem de tal forma a gastar até aquilo que não temos. Meus planos para aquele dia eram: almoçar e ir ao cinema ver um filme de ação como era de costume, mas eu mal esperava que a vida real me oferecesse algo muito mais surpreendente.
Na fila da bilheteria, ouvi um barulho estranho; era uma explosão misturada com gritos de pessoas desesperadas. Confesso que sou muito curiosa e não me segurei ao correr até lá e me deparar com algo impensável: um resto de avião estava pegando fogo no estacionamento do shopping. A asa direita ainda pegou de raspão no carro importado da madame que esperneava descontroladamente. Pobre mulher rica, tão fútil quanto insensível.
Era difícil de acreditar, mas um homem acabara de jogar uma pequena aeronave contra o estacionamento. O espanto tomou conta de todos. As patricinhas faziam cara de horror e eu realmente acreditei em suas feições. Ao descobrir que no avião também estava a pequena Penélope, filha do psicopata, uma pobrezinha de apenas cinco anos, fiquei conturbada e não conseguia entender o porquê daquela loucura. O público se reuniu em torno dos destroços e nos perguntávamos: O que faz um pai se matar e romper a trajetória de vida da sua própria filha? Loucura? Obsessão? Desespero? Eu não tenho dúvidas, aquele homem não era normal e tinha problemas muito sérios. Não se sabe muito a seu respeito, apenas que ele gostava de voar, de altura e cultuava a morte. Ele podia ser apaixonado pelos céus, mas sua perturbada personalidade o deixou bem longe do azul celeste.
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