A morte é só o lead
Tudo começa pelo fim. É essa a impressão que se dá ao ler as primeiras linhas de um obituário. Em “O Livro das Vidas: Obituários do New York Times”, da editora Companhia das Letras, a arte de escrever sobre a vida a partir da morte, se mistura com um jornalismo que ressalta pessoas comuns, aquelas que dificilmente conheceríamos numa simples manchete de um folhetim.
Um apanhado dos melhores obituários publicados pelo jornal norte- americano, trazem ao leitor histórias que possuem um real valor, mesmo sendo de desconhecidos.
O jornalista brasileiro Matinas Suzuki Jr., que trabalhou na Folha de S. Paulo por 16 anos e é professor na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, liderou a organização dos textos, e ao fim do livro, relata como funciona a editoria que faz esse trabalho jornalístico e comenta algumas publicações.
A seção não tem muito espaço nos jornais brasileiros. Já no NYT e em jornais ingleses, ela ganhou espaço privilegiado. “A seção de obituários do Times é uma cerimônia de adeus diária de bom jornalismo e uma das campeãs de leitura do jornal mais influente do mundo. Há quem pense que a valorização do obituário pela imprensa de língua inglesa seja um ritual de morbidez, mas isso é uma falsa impressão”, escreve Suzuki.
Os textos possuem um padrão, uma espécie de “lead”, com informações do falecido. Dados pessoais e a causa da morte (informada por alguém próximo, que é citado como fonte) ocupam as primeiras linhas, no máximo dois parágrafos. Casos de suicídio não são publicados, da mesma forma que eufemismos, como “nos deixou” ou “passou dessa para melhor”.
Ao ler os obituários, percebe-se que a intenção é mostrar que cada vida tem seu encanto. Mesmo se tratando de anônimos, é fácil imaginar como aconteceram tais coisas. Como eles viviam e o que faziam se torna extremamente interessante. Claro que nem todos os personagens eram desconhecidos. Alguns ganharam até Prêmio Nobel, talvez por que as informações sobre eles fossem adquiridas mais facilmente.
Entre as histórias que ganharam destaque nas páginas do diário, está a de Anne Sheiber, investidora de ações que doou 22 milhões de dólares para a Univesidade Yeshiva. O curioso é que Anne nunca freqüentou a instituição. Ou a de Harry Rosen, dono do restaurante Junior’s. Seu sucesso veio da criação gastronômica, um cheesecake (uma espécie de bolo de queijo), que atraiu vários admiradores, entre turistas, celebridades e políticos. Durante um incêndio no estabelecimento, alguns clientes gritaram: “Salvem o cheesecake!”. Outro personagem foi Meyer Michael Greenberg, que durante 30 anos distribuiu luvas para desabrigados durante o inverno norte-americano. Um ato singelo, mas que ajudou várias pessoas a encarar o rigoroso inverno estadunidense.
Alden Whitman, editor que revolucionou a seção de obituários de NYT, imortalizado por Gay Talese como o Senhor Má Notícia (em perfil incluído na coletânea Fama & anonimato) também foi para lá em 1964. Ele dizia que “um bom obituário não é uma biografia, é uma polaróide da vida”.
O Livro das Vidas é um panorama de diversos acontecimentos do século 20. Detalhes sobre a guerra do Vietnã, a corrida espacial, o crescimento urbano, a II Guerra Mundial, o surgimento dos computadores, a AIDS são facilmente identificadas ao longo de suas páginas.
Ao fim da leitura, concordar com a afirmação de Bill Mcdonald, atual editor do Times, é fácil. Ele diz que “os melhores obituários são aqueles que nos falam de pessoas sobre as quais nós nunca tínhamos ouvido falar antes e nos deixam chateados por não termos tido a chance de conhecê-las”. A nostalgia leva exatamente a esta sensação.
Conhecimento Pirata
Lei de Patentes não beneficia povos da floresta em estudos naturais
O conhecimento de recursos genéticos de comunidades indígenas e de agricultores, muitas vezes é apropriado por instituições que buscam o controle e a manipulação de tais conhecimentos. Isso pode ser caracterizado como Biopirataria. Além de sofrer com o contrabando de várias formas de vida da flora e fauna, essas populações são lesadas por não receberem economicamente com essas pesquisas e com a exploração dos recursos.
O bem coletivo representado pela sabedoria dos povos tornou-se um produto, objeto de transações comerciais, devido à facilidade de patentes internacionais que reconhecem e registram essas informações. Segundo a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), a ECO-92 estabelece princípios e normas que devem controlar o uso e a proteção da biodiversidade biológica em cada país signatário.
Quando se pensa em patente, logo vem à cabeça a idéia de apropriação de saber intelectual, e o registro dele. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi), o conceito de propriedade intelectual é uma expressão genérica para garantir a inventores ou responsáveis por qualquer produção do intelecto o direito de receber, pelo menos por um determinado período de tempo, recompensa pela própria criação. Por enquanto, os conhecimentos tradicionais ainda não têm propriedade intelectual. Portanto, ficam de fora da legislação e normas de Direito Autoral.
Mas o que se diz quando os conhecimentos provêm de algo da natureza, o que teoricamente é um bem de toda a humanidade? Os recursos naturais servem de base para estudos de cunho medicinal e farmacológico. Então é correto proibir tais pesquisas pelo simples fato do país que trabalha na investigação não ser o mesmo que detém de tais recursos em seu território?
Sabe-se que o Brasil possui aproximadamente 13% de todas as espécies de flora e fauna existentes no planeta. Apesar disso, ainda faltam identificar 90% deste potencial. O fato do país e principalmente da Amazônia possuir tal abundância de vida, também os torna alvo fácil de laboratórios, instituições e empresas que vêm para se apropriar dessas riquezas.
Infelizmente não dá para proibir que pessoas e empresas patenteiem conhecimentos tradicionais e recursos biológicos, mas se as normas estabelecidas na CDB fossem respeitadas e os lucros fossem repartidos corretamente, tudo seria mais justo e fácil, o que não acontece na maioria das vezes.
A solução seria o investimento em pesquisas, na biotecnologia, na catalogação das espécies e num controle territorial e de fiscalização mais eficientes. O desenvolvimento de uma indústria farmacêutica brasileira mais forte também colaboraria, na qual atuaria como uma fábrica de patentes de princípios ativos provindos da mata e remédios, mas beneficiando economicamente os povos da floresta e mantendo seus tradicionais saberes.
Entre notas musicais e jornalísticas

Foto: Arquivo Pessoal
Pâmela Alves nasceu em Passos-MG, no dia 13/06/1990. Mora em Sobradinho-DF desde os 15 anos, e tal mudança não foi muito fácil para ela. Como uma boa geminiana, é sensível, se magoa fácil, repara bastante nos defeitos alheios, é chorona e não se prende fácil às coisas novas.
É uma pessoa meio bipolar, então ao mesmo tempo em que está bem, fica mal do nada, ou seja, muda de humor muito facilmente. É ciumenta, possessiva, engraçada, fiel e confiável.
Talvez uma de suas características mais comuns seja se preocupar mais com os amigos do que com si mesma, e sempre querer e fazer de tudo para agradar aos outros.Mora com os pais e um irmão mais novo.
Tem uma relação tranqüila com todos, embora ela e a mãe batam de frente às vezes, por serem parecidas em algumas coisas. Pâmela é um pouco cobrada em relação aos estudos, já que os pais acreditam que ela deve dar exemplo ao seu irmão. Por ter uma personalidade muito forte, algumas vezes ela tem a impressão de que seus familiares não têm uma imagem tão correta ao seu respeito, às suas idéias, mas para ela é só impressão.
Quando o assunto é futuro, ela não tem dúvidas sobre o que deseja. Pâmela é fascinada por duas coisas: Jornalismo e Música. Desde a 6ª série já falava em fazer Música, mas ao fim do ensino médio deveria fazer uma prova específica na UnB, e ela não sabia partitura. Nesse momento, a melodia dentro de Pâmela silenciou-se e deu espaço a uma nova expectativa: O Jornalismo.
Fez um semestre de Comunicação Social numa faculdade particular e, durante um trabalho que deveria fazer um documentário sobre pessoas invisíveis na sociedade, ela se apaixonou pelo Jornalismo e decidiu seguir aquilo. Mudou de faculdade, e agora se vê cada dia mais envolvida com a sua futura profissão. Há quem diga que ela ainda escreverá na Rolling Stones, a grande revista cultural, voltada principalmente para a música. Mas dentro do jornalismo, pretende fazer algo relacionado com investigação. Sim, ela é mesmo muito curiosa!
Embora o sonho de se tornar jornalista fale alto quase todo o tempo, Pâmela é louca por música, e por mais que ela tente se desligar desse mundo tão cheio de rimas e melodias, não consegue. Seu maior prazer é tocar para as pessoas, independente da quantidade de público. Ela se sente viva cantando. É como viajar nos sons, quando se senta e toca seu violão. “Pam”, como é conhecida por seus amigos, é mesmo bipolar, tem dois lados muito óbvios: Jornalismo é sua razão e a música, sua emoção.
PS: Uma breve homenagem à queridíssima amiga Pam.
Entre os Muros da Escola
Não é de hoje que sabemos que a relação aluno-professor não é fácil. A escola é uma das primeiras noções de sociedade que conhecemos, e sempre surgem dificuldades de convivência. O longa-metragem francês “Entre os Muros da Escola”, baseado em livro homônimo de François Bégaudeau (que interpreta a si próprio), relata as experiências de um professor de literatura em uma escola de ensino médio na periferia de Paris.
O filme (que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008) do diretor Laurent Cantet, aborda de forma realista os desafios de se conviver com diferentes pessoas dentro da sala de aula.

Filme inspirado no livro de François Bégaudeau
Lá estudam jovens de diferentes nacionalidades, causando sempre um choque de costumes e percepções do mundo. François mostra de forma crua, a visão francesa das diferenças culturais dentro do limite de uma turma escolar, e não impõem nenhuma “boa moral”.
No meio de tanta divergência de opiniões, o professor age apenas como um ser humano normal, sujeito a falhas, querendo a muito custo ensinar algo de bom aos seus alunos. Não são apenas lições de gramática, mas também de vida.
É possível identificar vários estereótipos dentro da história, que não deixa de ser uma fotografia da realidade. Existe o bagunceiro, o brigão, a representante de turma, o tímido etc. Todos eles tem uma história de vida pra contar, mesmo tendo entre 13 e 15 anos, como no trabalho de autorretrato sugerido pelo professor.
O elenco foi todo composto por atores não profissionais, os estudantes e os professores. É como dizer que os alunos interpretaram a si mesmos, mas dentro de um roteiro programado, embora em muitos momentos, a improvisação fosse aceita, dando mais veracidade às filmagens.
“Entre os Muros da Escola” mostra a missão de um professor, que deseja quebrar as barreiras entre quem dá aula e quem assiste, porque nem sempre é o aluno quem aprende. Com um texto sutil, direto e claro, o filme envolve quem reservou duas horinhas de seu dia pra ver o diário de uma turma de adolescentes, e acabou se surpreendendo com tanta realidade, percebendo que o mundo cabe sim dentro de uma sala de aula.
Assita. Fica a dica!
Perfeição Invisível

Imagem: Divulgação
Todo mundo sonha com a metade da laranja, alguém que o complete e o faça feliz. Já imaginou ter uma pessoa assim ao seu lado? Tudo seria azul, exceto se sua alma gêmea fosse invisível para todo o resto do mundo! Essa é a sina de Pedro (Selton Mello) que acaba “encontrando” Amanda (Luana Piovanni) a parceira perfeita, que lava, passa, cozinha, é linda e adora sexo; tão idealizada por vários homens.
Pedro é traído pela esposa e abandonado. A partir daí, entra numa fase de depressão e recolhimento, até que uma bela vizinha bate à sua porta pedindo uma xícara de açúcar. Tudo poderia ser normal, a não ser pelo fato da loira perfeita ser fruto de sua própria imaginação. Começa então uma bela e engraçada “história de amor” entre ele e sua amada, que ninguém vê nem ouve.
Ele nunca percebeu que bem ao lado de seu apartamento morava Vitória, uma mulher infeliz com a vida conjugal, que fica viúva e, dessa forma, passa a sonhar cada dia mais com ele. A história é carregada de humor e romantismo, deixando o público ansioso em relação ao final do filme, o rumo da vida amorosa do rapaz e se ele enfim notará quem o ama de verdade.
Responsabilidade até o fim

Imagem: divulgação da internet
O papel do jornalista é informar e, a partir daí, formar opiniões. Mas hoje essa função vai mais além, carrega a carga das consequências. Quando um fato é publicado junto às causas, devemos questionar até onde vai a ética jornalística. Ser ético, como jornalista, é não omitir, ser claro e responsável quando passar uma informação ao leitor e não ferir a integridade alheia.
O comunicador está sempre comprometido com a notícia, a sociedade, incluindo seus interesses, e com a verdade. São conhecidos alguns casos em que o profissional em comunicação falhou, infringindo uma das regras principais que envolvem a profissão: a verdade. São os casos Orson Welles,com sua comovedora e fantasiosa narração da obra “Guerra dos Mundos”, do escritor inglês Hebert George Wells; e a história de um redator recém-formado, lunático e obsessivo por sucesso profissional, que serviu de base para o filme “Shattered Glass”.
Nada se cria, tudo se transmite

- Imagem: ( Divulgação) www.adorocinema.com.br
A credibilidade de um jornalista é o seu maior tesouro. A confiança que a sociedade deposita nesse profissional não pode ser desperdiçada através de um trabalho desonesto, na invenção de histórias, porque esse não é o papel do comunicador. Infelizmente existem casos assim, como o relatado na produção cinematográfica norte-americana de 2003, Shattered Glass – O Preço de uma Verdade, com direção de Billy Ray e produção de Tom Cruise. No elenco estão bons atores como Hayden Christensen (o Anakyn Skywalker de Star Wars: A Ameaça Fantasma), Peter Sarsgaard ( Meninos não Choram) e Chloë Sevigny ( Zodíaco).
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