Redes Sociais são os novos elos entre políticos e cidadãos
Diferente dos horários eleitorais, perfis na internet permitem a troca de informações
Érica Teles
Antigamente as praças das cidades eram palco de comícios e reuniões dos políticos em busca de votos e eleitores. Hoje, o palco de discussões são as redes sociais, que viraram febre, até entre os mais conservadores, e ganharam muitos adeptos por todo o mundo. Ao invés de entregarem os santinhos, eles te seguem no Twitter. Estima-se que cerca de 60% dos políticos brasileiros tenham perfis em redes sociais atualmente. Para o presidente do Grupo Orium Comunicação e Marketing, Alexandre Monteiro Chequim, estar inserido em comunidades virtuais é essencial. O cientista político Jean Klecio Gonçalves, defende que os políticos precisam usar de forma inteligente as mídias sociais.
Entre os mais de 200 milhões de usuários que aderiram ao microblog, por exemplo, estão os parlamentares. Desde a eleição que escolheu Barack Obama como presidente dos Estados Unidos em 2008, a internet virou ferramenta de aproximação entre a política e o cidadão. Antes das eleições brasileiras em 2010, aproximadamente 226 parlamentares já utilizavam o Twitter, segundo um levantamento feito pelo jornal O Estado de S.Paulo. Após as votações, esse número cresceu. Perfis como o @twittespol fornecem informações sobre os números desse público na rede.
deputado distrital Professor Israel Batista(PDT/DF) utiliza perfis em comunidade virtuais para estreitar a relação com o cidadão. “Acredito que as redes sociais democratizaram o debate e proporcionaram ao eleitor uma participação mais ativa na discussão política. O cidadão pode acompanhar o candidato não somente antes das eleições, mas também durante o mandato”, afirma o deputado. Seguir o agente político no Twitter virou uma arma do eleitor. “Recebo muitas sugestões e tento filtrar os comentários pertinentes daqueles que me cobram, justamente, para eu fazer valer o voto de confiança que me deram para representá-los”.
Estratégias
Para Alexandre Chequim, a atuação nas redes sociais pelos políticos contribui para uma interação entre os dois públicos, onde é possível falar e ouvir. “Trata-se com certeza de uma estratégia de marketing para estar mais próximo da população, e interagir com seus eleitores e potenciais eleitores”, explica Alexandre.
Assim como pode ocorrer no “mundo real”, onde alguns candidatos, eleitos ou não, somem depois das votações, nas redes sociais isso também ocorre. Alguns políticos fizeram perfis no microblog de 140 caracteres apenas para a época das eleições. Após o pleito, muitos abandonaram. O perfil da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, não é atualizado desde o final do ano passado. Nem por assessores, como ocorre em alguns casos. “Atuar de forma planejada nas redes sociais já precisa ser visto como prioridade pelos políticos”, explica o comunicador.
De acordo com Chequim, esse “abandono” pode ocorrer por desconhecimento das mídias sociais ou por falta de uma orientação profissional. Ele explica que esse meio deve ser utilizado como um canal de comunicação, não apenas para o pleito. “Acredito que só gere real benefício quando for acompanhada de planejamento, interação e relevância. Ou seja, o político precisa ter um plano de longo prazo para atuar nas redes sociais”, afima Alexandre.
Conexão direta
Segundo o cientista político, essa aproximação é positiva. “As pessoas (eleitores) também querem ver, como o político é em seu dia-a-dia como cidadão, na sua vida pessoal. Esperam que o ocupante do cargo público interaja e participe da “conversa” via Twitter, e não se limite a apenas ser um robô que distribui informações do mandato”, relata o especialista.
A opinião do cientista é compartilhada pelo estudante de administração Joel Gomes, 22, que segue os políticos em quem votou nas últimas eleições, mas apenas para interagir com eles. Ele não acredita que a rede seja uma forma de fiscalizar o trabalho dos eleitos. “No Twitter, eles falam o que acham necessário e menos polêmico, por isso eu acho que não é um meio de fiscalizar o seu trabalho.
Segundo Gonçalves, o que esses parlamentares escrevem no microblog não é determinante em suas atuações públicas. ” A memória do eleitor brasileiro é muito curta”, esclarece. “A maioria dos políticos não utiliza da forma correta, alguns apenas retuitam notícias e interagem com um pequeno grupo de contatos, que pode ser um erro grave”.
Joel defende outras maneiras de acompanhar e cobrar do político eleito. ” A melhor forma é entrando no site da Câmara e do Senado pra ver os projetos, como foram votados, mandando e-mail e indo até o gabinete cobrar as promessas de campanha, relata o estudante. O Twitter serviria como uma ponte a todos osoutros meios que têm mais de 140 caracteres”, finaliza o estudante.
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